sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A viagem não acaba nunca

Um 2011 repleto de desafios e conquistas para todos nós. Cair faz parte e como lidar com isso é o que nos define. Reaprendamos sempre, e recomecemos nossa viagem. Aos meus companheir@s e amig@s toda a minha verdade. Carrego tod@s comigo.
E bora nóis! Nos preparemos para colher e continuar plantando, cuidar dos nossos e de nós mesmos!!! Na luta!

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"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

José Saramago

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As diferenças...

Diferenças. Sempre quando converso com amigos sobre a vida, sobre o rap, que acaba sendo a nossa vida também, a pauta 'diferenças vem' à tona. Sempre acreditei que ter diferenças não fosse mal algum, tanto no campo da política, quanto no campo da arte, do trabalho, da família, dos amigos... O que demonstra a nossa capacidade maior de amar e compreender é a maneira que lidamos com estas diferenças. Obviamente, diriam muitos e eu concordo, na luta de classes apenas uma diferença pode ser crucial para nos colocar em fronts opostos. Mas eu estou falando da diferença no mesmo front. O famoso fogo amigo. Assim como lidar com adversidades, que sempre acontecem com qualquer um, mostram muito da capacidade, seja profissional ou emocional da pessoa, lidar com as diferenças, que também sempre irão existir, demonstra igual.

As diferenças que são da arte, do gosto pessoal, da escolha de palavras... Estas devem ser respeitadas, jamais crucificadas. Numa escola isso teria o nome de bullying, no meio artístico, para alguns, vira ibope, para outros piadas, boicotes, gelos... Aí não.

E não quero convencer ninguém do certo, do errado, evito dicotomias, e este tipo de separação entre homem de bem e do mal é coisa de dominação ideológica. Muito menos tenho vontade de apontar o dedo para alguém. Quando falo tudo isso também olho para mim. É sempre bom olhar pra nós mesmos, mas não somente, sem achar que o mundo é nosso umbigo.

E quando tratamos de ideias, trampos coletivos, a questão das diferenças ficam ainda mais aguçadas. E podem acreditar, elas enriquecem os trabalhos. Quando todos acreditamos na mesma fita e juntos estamos fazendo algo, entendendo, debatendo, discutindo e muitas vezes brigando, mas incorporando as diferenças, politizando os debates, qualificando os argumentos, tudo fica tão mais forte e rico. Mas não.... Prefiro não escutar, não dar a chance, fazer chacota. Assim se constrói uma hegemonia num mundo capitalista!

E quem quiser ficar desvendando segredos, elocubrando, apontando o dedo, sintam-se à vontade. Aprendi, "quer fazer tal coisa, arque com as suas consequencias" e assim cresci. Quando fazia merda, aguentava a ressaca, moral também. Portanto, fazer tal coisa, é falar tal coisa e até pensar tal coisa.

Fortalecer é acreditar, e a gente também pode acreditar nas diferenças como algo maior que nós, que nosso ego. Vejo pessoas se matando por simplesmente terem outro time, ou sendo mortas por serem homosexuais, negros, gordos, magros, feios, bonitos, com espinhas, sem espinhas, brancos comunistas.... Por pensarem diferente. Pensarem diferente e serem diferentes.

Tenho meu gosto musical. Gosto de me vestir de um jeito, de ler algumas coisas, gibis, assistir determinados filmes, seriados (curto tb), e espero ter vencido certos tipos de preconceitos no decorrer da minha trajetória (que é bem curtinha tá?!, mas que já me ensinou muitas coisas!), e não espero que todos curtam as mesmas coisas, mas respeito é fundamental!

Em meio aos devaneios de mais uma madruga, reflexão de ano novo e a certeza de que o tempo passa, a gente aprende (ou ao menos tenta) e que tem tanto ainda pela frente! E mais, tenho repetido, se no meio do caminho encontramos adversidades e diferenças, encontramos amig@s, parceir@s, ideias, viagens.... Seguimos!

Obs: Esta foto tirei na casa da mãe do Crônica. As mães, gatinha Miani e a Fofinha, cuidando dos filhotes, independente....

A Familia convida Mano Brown - Fotos do Rap Nacional



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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Rio de Janeiro e Segurança Pública: ‘Não sei se é fascismo ou farsismo’


ESCRITO POR GABRIEL BRITO E VALÉRIA NADER, DA REDAÇÃO CORREIO DA CIDADANIA

Após mais uma onda de violência na cidade do Rio de Janeiro, o Brasil se deparou com um espetáculo deprimente de suas mazelas sociais e humanas. Após traficantes desceram ao asfalto, promovendo assaltos e queima de veículos, por razões ainda pouco esclarecidas, novamente a cidade se viu em pânico. Situação inflada pela cobertura espetacularizada da grande mídia, que por sua vez endossa sem parar as políticas fracassadas de mera repressão à ponta pobre do tráfico, isto é, nos morros.

Em entrevista ao Correio da Cidadania, a socióloga Vera Malaguti, secretária geral do Instituto Carioca de Criminologia (ICC), criticou duramente os governos estadual e federal, especialmente em relação à entrada das forças armadas na questão, de legalidade questionável. "Tudo é ilegal aqui. Estamos vivendo em regime de exceção", afirmou, referindo-se também às violências cometidas contra moradores inocentes das áreas invadidas pelas forças oficiais.

Para ela, tal processo é parte de uma política de ocupação de áreas pobres, idealizada pelos EUA há décadas, que visa também garantir um controle militarizado da vida das pessoas, além de abrir caminho para "os negócios transnacionais e olímpicos".

Malaguti questiona firmemente a política de segurança do governo Cabral, por considerar as UPPs - Unidades de Polícia Pacificadora - e toda a recente operação mais uma ação de marketing, baseada nas mesmas políticas de repressão sem investimento social, amplamente fracassadas.. "Estão ocupando a cidade. Para que fluam os grandes negócios transnacionais e esportivos. Para que as pessoas possam fruir sem serem incomodadas pela nossa pobreza".

A entrevista completa, na qual Vera não poupa nem o ex-secretário Luiz Eduardo Soares ("ele é um pouco responsável pela glorificação do BOPE como solução"), cujas análises foram elogiadas por setores progressistas, pode ser conferida a seguir.

Correio da Cidadania:
O apaziguamento do clima de guerra que se instalou no Rio, a partir da colaboração do Exército e da Força Nacional de Segurança na expulsão dos traficantes do Morro do Alemão, levou a um clima de euforia entre a população, seguido pela maior parte da mídia. Como encara, nesse sentido, as ações imediatas que foram tomadas pelo governo nos últimos dias para controlar a crise?

Vera Malaguti:
Estranhei muito. Eu penso que a euforia foi fruto de uma campanha midiática. Gosto de falar com base em evidências, mas desde o início considerei muito estranhos os acontecimentos. Comparando com aquela vez em São Paulo, em 2006, quando a cidade parou, na hora em que o governo decidiu mobilizar as forças armadas, ainda se teve uma meia dúzia de carros queimados, mas nenhuma vítima.

Tudo foi engatilhado de um jeito que pareceu muito estranho. Se formos ver a análise da mídia, como a da Folha, que dessa vez foi mais crítica, vê-se que existia uma combinação com a Rede Globo, tanto que na véspera eles anunciavam o ‘Tropa de Elite 3’, e no dia seguinte transmitiram aquilo o dia inteiro.

Diante do que acontecia, creio que a reação foi desproporcional em relação ao ocorrido, e aí não entendemos de fato como foram as coisas. Seriam 600 homens, ou não? As apreensões mostradas também não fazem muito sentido, porque o envolvimento das forças armadas em tais situações é muito questionado no mundo inteiro.

Os EUA, por exemplo, proíbem suas forças armadas de trabalharem como polícia. No entanto, estimulam muito que as forças armadas latinas entrem nesta guerra perdida, como no caso do México, grande exemplo disso.

Desde 94, quando da operação Rio 1, as conversas com o Comando Militar do Leste sempre receberam a recusa das forças armadas brasileiras, por ser algo perigoso. Da mesma forma que a polícia se desmantela nessa guerra sem fim, as forças armadas, que na verdade são responsáveis pela nossa soberania, poderiam passar pelo mesmo. Atirá-las nessa guerra perdida é uma aventura. As forças armadas norte-americanas não entrariam nessa jamais.

Portanto, creio que foi um ato midiático, como tudo que é feito pelo governo do estado do Rio de Janeiro. Só que desta vez o governo federal embarcou na aventura, a meu ver de forma muito irresponsável, correndo o risco de colocar as forças armadas brasileiras num impasse geopolítico.

Correio da Cidadania: Mas no momento específico, e diante da dificuldade da polícia carioca no enfrentamento frontal ao tráfico dos morros, a presença do Exército, assim como da Marinha e Aeronáutica, não seria necessária como medida emergencial?

Vera Malaguti: Em 2006, em São Paulo, aconteceu algo muito mais grave, muito mais profundo, e as forças armadas nem foram cogitadas. Quando entraram, tinha-se meia dúzia de carros queimados e nenhuma vítima. Na França, é normal queimarem 300 carros num protesto, e o exército francês nunca entrou pra interferir. E nunca considerou esses atos terrorismo, e sim manifestação.

Acho que tudo faz parte de uma escalada do modelo norte-americano de ocupação. Inclusive saiu uma entrevista do ministro (da Justiça, e futuro governador do Rio Grande do Sul) Tarso Genro no Página 12, da Argentina, na qual os jornalistas se assustaram com as declarações dele, pois tinham um jargão bélico constante.

Ao mesmo tempo, é um modelo fracassado, pois os EUA estão perdendo a guerra no Iraque nessa acepção.

Correio da Cidadania: Fracasso da guerra às drogas também.


Vera Malaguti: Exatamente. A guerra às drogas já virou um mico mundial. Portanto, essa escalada do Rio de Janeiro me parece fazer parte do processo que mencionei. Já tivemos a chacina do Pan, também no Alemão. É algo muito midiático, e também perigoso, por ser uma escalada bélica.

E agora, miraculosamente, acabou tudo, está tudo calmo. O que acontece no Rio de Janeiro de verdade? Acho que ainda faltam elementos para afirmarmos algo com responsabilidade, mas me pareceu tudo muito rápido e alinhado à Globo. Parecia tudo parte dos efeitos Tropa de Elite. Tanto que na véspera do ‘Dia D’, a manchete do O Globo era ‘Tropa de Elite 3’. E depois houve aquela cobertura toda, enquanto do lado de lá se viam escombros, tanto que houve várias comparações com Canudos.

E o day after é aquilo que a gente conhece sempre, a história de invasões da polícia às comunidades faveladas.

Correio da Cidadania: Na invasão do Alemão, em 2007, durante o Pan, foi a mesma coisa, e nem o tráfico de drogas, nem o controle armado do território por criminosos foram, no entanto, até hoje eliminados. Pelo contrário, estamos novamente diante do mesmo morro, agora com uma ocupação ainda mais extensa, a partir da participação direta da Força Nacional de Segurança, da Polícia Federal, do Exército, Marinha e Aeronáutica. Trata-se da persistência inócua e equivocada de uma política de ocupação, não?

Vera Malaguti: Sim. Os moradores sendo humilhados, torturados, tendo suas casas roubadas, reviradas, aquilo que a gente conhece. Agora com o agravante da glorificação de uma polícia militarizada, um efeito perverso que enxerguei nos filmes Tropa de Elite, e que me parece formar esse todo, de glorificação da força militar.

O saudoso coronel Carlos Magno Nazaré Teixeira, assassinado em 99, policial militar com formação humana, profunda, crítica, escreveu um artigo intitulado ‘A remilitarização da segurança pública’. É, de fato, um processo. O Brasil aderiu agora; e, surpreendentemente, a partir do governo federal.

Correio da Cidadania: Esse cenário não tem sido construído, com a ajuda da mídia, como forma de criar uma legitimação para a Copa e as Olimpíadas? A força militarizada não serve pra sufocar os gritos contrários?

Vera Malaguti: Com certeza. Além disso, abrir caminho também para os grandes negócios transnacionais. Crime organizado é isso aí. Esses negócios olímpicos e transnacionais fazem parte da estratégia de ocupação das áreas pobres. É mais um capítulo dos ‘muros ecológicos’, ‘paredes acústicas’, que vão murando e isolando as áreas pobres. Depois, as pessoas falam que é uma alternativa. Não, não é uma alternativa ao modelo, e sim seu aprofundamento, chegando agora na ocupação militarizada das favelas.

Eu chamo de gestão policial da vida. Pra fazer uma festa tem que pedir autorização. Por isso, creio estarmos diante de um projeto de ocupação militarizada nas áreas de pobreza do Rio de Janeiro, com uma cobertura vergonhosa da grande mídia.

O Loïc Wacquan escreveu artigos como ‘Punir os Pobres’, ‘A Penalização da Miséria’, mas um em especial chama a atenção: ‘Da Penalização à Militarização’. Durante esses dias, ele me mandou uma mensagem perguntando isso: "Vera, estou vendo tudo pela TV. É aquilo mesmo, da penalização à militarização?". Acho que é exatamente isso. Demonizam-se algumas atividades em certas regiões, depois se criminaliza e se entra com tudo no lugar em questão. É o que também chamamos de indústria do controle do crime, é uma modalidade de economia. As próprias forças armadas, em parte, resistem a isso.

Mas como parece que nosso ministro da Defesa gosta de trocar inconfidências com ministros americanos, como vazou o Wikileaks, vimos que os EUA queriam saber se o Rio de Janeiro poderia sofrer terrorismo e que lhes interessava vender-nos tecnologia para tal combate.

Correio da Cidadania: Não só vender equipamentos, como até editar uma lei antiterrorismo, como também foi vazado.

Vera Malaguti: Tudo o que acontece são tecnologias de guerra sendo vendidas. Os jornais mostravam os blindados, a polícia dizia que gostava... Enfim, estamos comprando as sucatas das derrotas dos EUA no Iraque e no Afeganistão.

Correio da Cidadania: De Israel também, haja vista que o Brasil, e especialmente o Rio, é um grande cliente dos israelenses no mercado de armas, não?


Vera Malaguti:
Certamente. Israel é o grande parceiro das vendas de serviços e tecnologia nessa área. Mas antes é preciso construir o discurso do inimigo, o que o grande jurista argentino Zaffaroni chama de ‘direito penal do inimigo’. As garantias vão sendo suspensas, prendem-se os familiares, advogados. Ou seja, estamos vivendo no Rio um Estado de Exceção. Não vi nenhum morador dessas áreas aplaudindo. Como também nunca vi morador elogiar UPP, apenas vejo a mídia dizer que eles aprovam. Na cobertura do day after, só vi morador se sentindo humilhado, violentado, esculachado, roubado... A história de sempre, desde Canudos.

Não sei se o nome adequado é fascismo ou farsismo.

Correio da Cidadania: Já vêm soando rumores de que o Exército poderia permanecer nas áreas conflagradas por tempo maior que os cerca de 8 meses inicialmente cogitados, fincando suas bandeiras nessas áreas até a Copa do Mundo. Ao lado do comentado risco de contaminação do Exército pelo tráfico, uma permanência tão estendida é a prova cabal da política de militarização imposta pelos EUA, não?

Vera Malaguti: Eu acho um perigo para a soberania nacional colocar as forças armadas nessa guerra perdida. E digo mais: não me parece que a situação do Haiti seja bonita, onde nossas forças armadas comandam uma ocupação. Como está lá? Nossas forças armadas vão se transformar em polícia de contenção de pobreza absoluta? Eu acho uma tristeza, além de um precedente perigoso.

E tem ainda o circo das ONGs: a Viva Rio, que aqui no Rio é chamada de ‘Viva Rico’, esteve lá no Haiti. Vai participar aqui também?

Tirar as forças armadas de seu papel, de garantir a soberania nacional, é o sonho dourado dos EUA. As forças armadas deles não entram jamais numa empreitada dessas, mas eles recomendam a todos os outros que o façam.

O governo Lula aderir a isso é uma vergonha.

Correio da Cidadania: Sem contar a sensível questão acerca da legalidade de tal atuação, muito questionável.


Vera Malaguti: Tudo é ilegal aqui. Estamos vivendo em regime de exceção, tudo é ilegal. Desde a inviolabilidade do lar até a gravação das prisões de advogados, fora outras coisas que já citamos.

E a OAB do Rio já apoiou a operação desde o começo. Em vez de ficar na trincheira de luta, observando se as garantias constitucionais estão sendo levadas em conta, já entrou apoiando, como também o fez na operação de 2007 no Alemão.

E a atuação da grande mídia...

Correio da Cidadania: Parece que estão transmitindo mais uma atração dominical.

Vera Malaguti:
Exatamente. E com a glorificação da truculência, da militarização. É de fato a glorificação da figura do Capitão Nascimento.

Correio da Cidadania: Fora o massacre ideológico, com as mesmas figuras defendendo por horas e horas todas as ações, com as mesmas idéias de sempre, que, como você já disse, só acumularam fracassos.

Vera Malaguti:
É uma cobertura que serve muito mais para as pessoas não entenderem o que acontece. E, no final, os resultados são pífios. Cadê os 600 homens, cadê as armas? Aparece uma bazuca aqui, outra ali...

Sinceramente, acho que, se olharmos bem, vamos ver que as forças armadas, polícias civil, militar, fizeram um fiasco, prendendo um monte de pé rapado. Não há novidades no front.

Correio da Cidadania: Qual a sua avaliação quanto à política das UPPs no Rio de Janeiro, tanto no que se refere ao conceito e objetivos que lhes dão sustentação, como à forma pela qual vêm sendo conduzidas?

Vera Malaguti:
É parte de todo esse jogo. É uma obra de arte midiática, uma peça de marketing. O governador do Rio é expert nisso. O Rio tem o maior investimento em segurança pública e está em penúltimo no ranking da educação de todo o país.

Se pegarmos o que o governo do estado investe em marketing... As UPPs são mais uma peça publicitária, parte dessa militarização da segurança pública, por se tratar de uma ocupação militar, na qual os moradores são obrigados a se submeter a tudo, até a pedir permissão pra fazer uma festa. Além de significar a glorificação da gestão policial da vida - dos pobres, é claro.

E a prefeitura, cujos integrantes participam do mesmo projeto político, entra com o Choque de Ordem, que busca tirar todas as estratégias de sobrevivência dos pobres na rua. Mas, ao mesmo tempo, as ruas do Rio são invadidas por empresas transnacionais.

Portanto, o camelozinho pobre não pode botar suas bugigangas na Vieira Souto. Mas no fim de semana retrasado um laboratório francês, enorme, estava lá com container, fazendo exames de câncer de pele e distribuindo filtro solar.

Correio da Cidadania: Fazendo exames e, claro, uma belíssima ação de marketing.

Vera Malaguti:
É. A empresa pode. Mas as estratégias de sobrevivência dos pobres, criadas pelo povo, não. Essas são demonizadas e criminalizadas. Agora, a ocupação militar. Uma vergonha. Mesmo com todas as críticas que tenho, nunca esperava um papelão desses do governo federal, que entrou na jogada.

Correio da Cidadania: O sociólogo Luiz Eduardo Soares adverte que sem ir à raiz da relação promíscua entre policiais e traficantes as UPPs não têm chance alguma de sucesso, visto que seriam contaminadas pelo mesmo esquema de corrupção.

Vera Malaguti:
É, pode ser, mas o Luiz Eduardo Soares é um pouco responsável, é o criador do Capitão Nascimento, o novo herói nacional.

Tenho uma posição muito crítica em relação à produção do Luiz Eduardo Soares. Ele é um pouco responsável pela glorificação do BOPE como solução. Mas ele alterna também. Está esperando a polícia ficar limpa no capitalismo... Vai ter que esperar um bocado.

Ninguém está limpo no capitalismo, mas quem está menos limpo é a sociologia fluminense, que está toda inserida no mercado, nossa! Na cobertura, apareciam todos apoiando a operação. Inclusive ele, na última entrevista, disse: "sou a favor da repressão, mas...".

Portanto, tenho uma visão muito crítica a ele especificamente, pois acho que os Tropas de Elite 1 e 2 tiveram esse efeito perverso. Tanto que o ápice do 2 é a tortura do político corrupto. E a tortura é a estrela dos dois filmes. Por isso, acho-o muito responsável pelo que culminou com o Globo chamando toda a história de ‘Tropa de Elite 3’.

Correio da Cidadania: Mas o que pensa dessa relação promíscua entre policiais e traficantes, assim com de seu impacto sobre as UPPs?

Vera Malaguti:
Acho que o proibicionismo, a política criminal de drogas dos EUA, à qual aderimos desde a ditadura, produz esse resultado, razão pela qual as forças armadas não podem entrar, pois vão se desmantelar.

Não é um problema moral, e sim de escolha política que se faz. Quanto mais repressão, maior custo. E políticas que não legalizam o segundo emprego do policial, jogando-o na ilegalidade, só contribuem ainda mais.

Não é uma questão moral das polícias, mas uma questão econômica, dentro de um capitalismo selvagem.

Correio da Cidadania: O mesmo sociólogo há algum tempo tem ressaltado que o tráfico armado, tal qual se apresenta hoje, é um modelo em processo de extinção - não devido à existência das UPPs, mas em função de sua estrutura pesada e custosa, tendente, portanto, a caminhar para formas mais sofisticadas de crime organizado. As milícias tão preponderantes hoje no Rio, cujos membros são em grande parte policiais, seriam uma dessas modalidades mais ‘atualizadas’ do crime organizado. Diante do que se viu no Rio, você comunga dessa avaliação, de que o tráfico armado nos moldes atuais esteja realmente em extinção no Rio?

Vera Malaguti:
Acho que ainda não tenho, nem ele, elementos para afirmar isso. Pierre Bourdier criticava muito o que chamava de fast thinker. Aqueles caras que a grande mídia sempre procura. Pode ver que a grande mídia procura sempre os mesmos. É uma penca, não vou citar nomes. Pra você dizer algo assim, tem que se fazer uma pesquisa, se aprofundar, mas para a Globo News eles sempre sabem tudo já na hora dos acontecimentos.

Eu sou uma slow-thinker. Não tenho elementos para confirmar essa teoria ainda.

Correio da Cidadania: Mas, de toda forma, as milícias têm sido um braço fortíssimo do crime organizado, até com mais tentáculos, e sem combatê-las não vai adiantar absolutamente nada, no final das contas, eliminar somente os comandos tradicionais.

Vera Malaguti:
Claro. Estranhamente, o governo estadual resolveu combater somente uma das empresas do comércio varejista de drogas. Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência, conhecendo o mercado, sabe que em caso de se partir pra cima de alguém em seu espaço, retirando-o de lá, tal espaço será ocupado por outra empresa. Mais uma vez, todo esse aparato foi pra cima de uma das empresas. Estranhamente, as outras (milícias) têm uma relação maior com a polícia. Natural.

Houve um momento em que todo mundo dizia que as milícias eram autodefesa ao narcotráfico. Deu no que deu. As milícias cresceram, primeiro sendo glorificadas, e agora fica tudo meio embolado.

Correio da Cidadania: O que pensa sobre o modelo de polícia hoje existente? Quais seriam, a seu ver, as políticas públicas e medidas que, a médio e longo prazos, realmente incidiram sobre este modelo de modo a enfrentar o tráfico e a violência em uma cidade como o Rio de Janeiro?

Vera Malaguti:
Primeiramente, acabar com o proibicionismo, ou seja, a política proibicionista norte-americana. E, claro, as velhas políticas públicas: escola pública de tempo integral, saúde, enfim, todo o universo da agenda que perdemos, porque agora nossa agenda é só segurança pública, ela vem na frente de tudo.

Em terceiro lugar, o protagonismo da juventude popular, pois uma das coisas que a criminalização das estratégias de sobrevivência faz é também criminalizar a potência juvenil, popular, transformando-a em bandidagem.

Precisamos recuperar os movimentos políticos que dão potência e protagonismo à juventude popular. E não demonizá-los, criminalizá-los e agora aniquilá-los.

Correio da Cidadania: E o que pensa sobre o atual modelo de polícia?

Vera Malaguti:
É o mesmo de sempre. É a história da polícia do Brasil. Começou para erradicar quilombos e assim continua. Erradicando e ‘pacificando’ quilombos. Não mudou nada.

Correio da Cidadania: Para evitar questionamentos quanto à política salarial e ao orçamento público, o governo faz a citada vista grossa para várias ‘ilegalidades’, como os bicos feitos por policiais de modo a incrementar seus ganhos - bicos que, em função do mencionado ‘proibicionismo’, estão na raiz do tráfico e da formação de milícias. Diante desse cenário todo, seria possível lidar com a situação atual, de modo a que a raiz da degringolada fosse de fato enfrentada, sem um novo enfoque para as políticas públicas, e sem, ademais, um novo olhar para a cidade?

Vera Malaguti:
O Luiz Eduardo, por exemplo, gosta de vender modelos de segurança. Acho que o modelo de segurança é algo que precisa ser construído coletivamente. E utopicamente também.

Toda cidade que precisa de muita organização policial tem algo de muito errado. As cidades seguras são aquelas que precisam de pouca polícia.

A desigualdade social, a brutalização da pobreza, essas medidas compensatórias, que aprofundam os nexos da desigualdade... Precisamos construir um modelo de felicidade para a cidade, no qual a segurança seria a última prioridade. Porém, não acredito nisso.

Estamos voltando à República Velha, época em que, quando se pensava na questão social, pegava-se um revólver. Estou me sentindo na República velha, quando as questões sociais eram resolvidas pela polícia.

Precisamos de menos polícia, menos prisão, mais beleza, mais cultura, mais alegria, mais potência juvenil e popular, protagonizando as coisas.

Correio da Cidadania: Finalmente, como vislumbra que o futuro governador do Rio, assim como a futura presidente do Brasil, vão lidar com o tema da Segurança Pública?

Vera Malaguti:
Olha, estou morrendo de medo dos dois. A perspectiva é sombria. E como o ministro da Defesa será mantido... Parece que estaremos bem com as embaixadas americana e israelense.

Correio da Cidadania: Podemos, dessa forma, imaginar uma intensificação desse modelo militarista de mediação social?

Vera Malaguti:
Estão ocupando a minha cidade. A linda, insubmissa e rebelde cidade do Rio de Janeiro. Para que fluam os grandes negócios transnacionais e esportivos. Para que as pessoas possam fruir sem serem incomodadas pela nossa pobreza. Essa é a minha triste impressão dos acontecimentos.

Como eu disse, não sei se é fascismo ou farsismo.

Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Melô do Tagarela - Miele

Outro dia, a convite da diva Hannah Lima, fomos ao show do Nando Reis, que aliás foi belíssimo. Na saída, naquele clima de final de show e tals, quem me aparece? Miele!! Não pude deixar de comprimentá-lo e dizer que adorava o Melô do Tagarela e ele, em um espanto, me respondeu que nem ele se lembrava e jamais imaginaria ouvir isso... Que coisa! Em 1979, Miele, apresentador de TV, usou a música Rappers Delight, do Sugarhill Gang's e gravou o Melô do Tagarela. Como tudo na época era melô, não levou o nome Rap, mas é considerado um dos primeiros (são muitas as versões e protagonistas) gravados no Brasil e já trazia uma forte crítica em tom de ironia. Relembrar é viver. Esta é a história.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

III Mostra Cultural da Cooperifa

O lançamento desta grande e importante atividade cultural da periferia foi nesta segunda-feira com os shows de Jairo Periafricania e Fabiana Cozza no CEU Campo Limpo. Lindo demais! Este ano a programação está recheada de atividades voltada para o público infantil.
Acompanhe a programação clicando na imagem abaixo!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quanto Vale? - Pelas Periferias do Brasil Vol. IV

Quanto vale?

O dinheiro que fechou escolas.
A oferta que expulsou famílias.
A exportação que importou miséria.
“Quanto vale esta terra aqui?”, perguntavam os homens. “Quanto vale o Homem?”, ele se perguntava.

Depois de vendê-la por um dinheiro que achava nunca poder ter em mãos, percebeu que aquela terra não tinha valor. Era, na verdade, impagável. Invendável.
No lugar da plantação de milho, café e outras coisas, agora só há soja e bois. “Brasil cresce cerca de 5%, como prometido pelo presidente”, os jornais anunciavam.
Tais jornais não conhecem a vida dele. A vida dele e de seus antigos vizinhos. Vizinhos do mundo. Depois que os gaúchos chegaram, tudo mudou. Costumavam dar este nome. Todos vinham do sul mesmo. Rio Grande ou Mato Grosso.

Disseram que a vida iria mudar. Sempre sonhou em ir pra lá. Pra cidade... Mas nunca pensou que fosse esta cidade. Via outras coisas na TV. Eles falavam que os da roça não sabiam viver... Mas esgoto passando na frente de casa, onde as crianças brincam, num tá certo. Ele pensava... Isso é viver?

“Cargill abre mais de cinco mil vagas de emprego”, anunciavam na região. Uns faziam filas. Outros vendiam ilusão.“Antes num precisava abrir vaga não. Eu trabalhava pra mim. Acordava muito cedo, é verdade, mas ali era tudo nosso”, lembrava. Ao cair do dia, estava com a mente tranquila. Sem preocupações. Hoje, não consegue dormir.
Eles não conheciam as ameaças. Os mortos. As crianças. A fome. O desespero. Eles queriam o lucro. Independente de qualquer coisa. Coisa... Era isso que ele se tornara aos olhos dos demais. Não se sentia mais um ser humano. Via outros, como ele, sofrendo. E outros o viam sofrer. Nada acontecia. Ninguém para ajudar, acolher. Nem a ele e nem aos outros iguais a ele.

As castanheiras, que tomam o céu como se fosse delas, são símbolos daquela região, mas agora estão queimadas, distantes... Os troncos, ocos e cinzentos, marcam a paisagem. As casas e escolas estão vazias. No lugar da vida, ruína. No lugar dos homens, máquinas. Saudades do campo ele sente...

A única perspectiva é ficar aqui. Tentando, sobrevivendo. E com toda a sua fé, a única coisa intocável, inabalável que lhe restou, ele se ajoelha no chão e chora, ora, implora... Pede a Deus que, em algum dia, o Homem não seja mais capaz de fazer um outro Homem sofrer. Tampouco a terra, a Terra.

Acabou o querosene. A luz se foi. Veio a noite. Se possível, uma boa noite...

Por Nina Fideles
Dedicado às comunidades de Santarém, Pará.
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Este e outros textos de 16 autores de todo o Brasil no livro Pelas Periferias do Brasil Vol. IV. Adquira o seu! R$ 15,00 com o frete incluso.















terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eminem pela primeira vez no Brasil

Texto e fotos por Nina Fideles
http://www.rapnacional.com.br/2010/wp-content/gallery/eminem-nina/21.jpgPela primeira vez no Brasil, o rapper Eminem faz show memorável em São Paulo. Com as apresentações de Marcelo D2 e do grupo do Pharrel Willians, o N.E.R.D, o F-1 Rocks aconteceu no Jockey Club, dois dias antes do Grande Prêmio em Interlagos. Os ingressos variaram entre R$ 150 (arquibancada) a R$ 500 (Pista Vip), e o público presente não foi o esperado pelo Festival. A área Vip, como os organizadores tendem a fazer, era enorme, o que acabou afastando o público da Pista mais um pouco do palco. 2010-11-09

Além de sentir falta de todos os veículos de comunicação do Rap cobrirem o evento com mais respeito e condições, senti falta também de outros nomes do rap nacional presentes naquele palco. Uma grande estrutura de luz, som, palco, segurança, montagem, etc…

Por conta da chuva que caiu no horário marcado para o show de Marcelo D2, ele acabou entrando no palco somente umas 21h30 e cantou apenas três músicas. Isso enquanto regulavam o som e testavam a iluminação, mas isso não deixou de transformar aquele momento que, além de um belo show, teve direito à parabéns com bolo de aniversário e uma foto ao final com o público ao fundo.

Minutinhos após o N.E.R.D entrou no palco e, para os que não conheciam o som, surpreendeu. Um belíssimo repertório, super musical, com uma banda bem presente. Mesmo com a maioria de suas músicas ainda desconhecidas, o público reagiu muito bem ao show, mas o ponto alto foi o refrão de Beautiful, música com a participação do Snoop Dogg.

Com todos ansiosos para o início do show da noite, a chuva veio primeiro, mas não desanimou o público nem o Eminem e sua banda. O telão anunciava que após um longo tempo fora dos palcos e com os rumores de uma depressão, Eminem volta em grande estilo, esta noite, e todos seremos testemunhas. E de fato, todos presentes foram testemunhas de um show marcante. Assim como o público, Eminem cantou na chuva. Do início ao fim, com a mesma energia. São muitos os clássicos que o cantor lançou ao longo de sua carreira e no show a maioria esteve presente, mesmo que em trechos apenas. Infelizmente, por conta da chuva, o telão que ficava em cima do palco não pode ser utilizado, mas todas as imagens preparadas para o show foram utilizadas nos telões laterais do palco. Encerrando a grande noite, Eminem saiu do palco e retornou com a música ‘Lose Yourself’ com tudo! Acabou. Uma pena. Acredito que todos aguentariam muito mais chuva e muito mais músicas.

Esperamos que outros organizadores façam mais shows com atrações internacionais para o público do rap. Com preços acessíveis, com a imprensa do rap nacional cobrindo e com mais atrações nacionais também.

Obs: Importante não deixar de citar a falta de respeito da assessoria de imprensa da organização com o trampo dos veículos de comunicação do Rap Nacional. Todos que vi chegando para pegar a ‘credencial’ receberam ingressos para assistir o show da pista com ‘o risco de ter o material de fotografia apreendido por não estarem identificados como imprensa’, como eles próprios informaram. Mas não há assessoria de imprensa e ‘acessos’ que possam tirar o brilho do trabalho de portais, blogs e TVs que sempre cobrem o rap nacional e repercutem aqui no Brasil o rap do mundo.

http://www.rapnacional.com.br/2010/wp-content/gallery/eminem-nina/10.jpg
Dbs e A Quadrilha e Crônica Mendes (A Família)

http://www.rapnacional.com.br/2010/wp-content/gallery/eminem-nina/01.jpg
O público

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Marcelo D2

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Pharrel Willians - N.E.R.D

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Eminem - O show da noite, mesmo sob a chuva

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não deixa a Mínima - Vídeo promocional

Brincadeira séria. Maior satisfação ver estes nomes do rap nacional juntos em estúdio. Um pouquinho do dia para vocês...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Hora do Limão - Pelas Periferias do Brasil 4


Numa bela sexta feira de noite, (dia 15 / 10 / 2010), foi realizado o lançamento oficial da coletanea literaria: "PELAS PERIFERIAS DO BRASIL - Vol. 04" !!!
E a nossa "Hora do Limão TV" registrou algumas imagens e depoimentos da galera presente.
É a Literatura Periferica se fortalecendo cada vez mais !!!

por Walter Limonada

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Revista do Brasil censurada


A Revista do Brasil edição 52 teve de interromper sua distribuição e não pode divulgar qualquer de seu conteúdo na página da internet, por meio de uma decisão do TSE. Tal decisão atendeu ao pedido do PSDB... Enquanto isso, a Veja, a Istoé, outras podem tudo. E ainda fingim ser neutras para tentar enganar o povo. Como se prestassem um ótimo serviço à população informando os 'horríveis' atos do PT. No primeiro turno, todas as capas destas revistas estampava a Dilma como a guerrilheira, a que anda armada, para desligitimar sua provável eleição, e tentavam também acabar com a imagem do PT como o Partido do Polvo.... Não posso chamar isso de jornalismo.

Reproduzo aqui parte do artigo do editor da Revista Paulo Donizetti, que mostra o que deveriam fazer os meios de comunicação. Assumir honestamente e com transparência sua preferência de candidato. Sem tentar enganar ninguém.

"A edição 52 da Revista do Brasil trazia, à capa, uma foto da candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), com a chamada "A vez de Dilma: O país está bem perto de seguir mudando para melhor". A publicação explicita em seu editorial a posição favorável à candidatura Dilma, e traz também reportagem analisando circunstâncias da disputa do segundo turno."

Todos sabemos a difícil tarefa de nadar contra a corrente, contra os poderes estabelecidos... Como diz o jornalista Marcos Zibordi, jornalismo é uma guerra. A luta de classe taí, qualquer profissão deve assumir o seu lado...

E mesmo que eles tenham impedido a revista de circular livremente, taí o PDF dela. Ótimo conteúdo, uma ótima reportagem sobre o mundo do trabalho, tema que sempre me interessa, e ainda uma matéria minha sobre os rumos do Hip Hop. Espero que curtam. E se gostarem, espalhem!!!!

Baixe AQUI!

sábado, 16 de outubro de 2010

As muitas rimas do hip hop


Depois de muito tempo escrevendo sobre tantas coisas e acompanhando de perto o rap nacional sem nunca ter feito uma reportagem sobre o assunto, me senti à vontade para escrever tal matéria. Claro que sempre achei esta tarefa muito difícil, ainda mais considerando os tempos de hoje e minhas opiniões, baseadas em minha própria experiência e apreço muito antigo por esta música e este movimento. Penso que como jornalista, meu papel em uma reportagem não é escrever um artigo do que penso ou acredito (isso deixo para depois e posto por aqui mesmo), mas sim tentar abordar de maneira mais ampla possível o atual momento e permitir, ou, quem sabe, instigar uma reflexão, uma análise. Isso é sempre bom!! Obviamente ninguém é neutro ou impessoal. Todas as nossas escolhas se refletem em nosso textos... Qual palavra usar, qual caminho seguir, quem ouvir... E é claro, o resultado é uma matéria minha, não de outra pessoa.

Considero também esta uma tarefa difícil pois são tantos elementos, figuras, momentos, que jamais caberiam em apenas uma reportagem. Teriam que ser umas cinco... Muita coisa ficou de fora, infelizmente, principalmente por ser uma matéria voltada para um meio impresso, que é a Revista do Brasil. Independente de qualquer coisa, amei escrever sobre um assunto que gosto tanto e adoro escrever para a Revista do Brasil.Ouvi pessoas que já conhecia faz tempo e outras que tive a oportunidade de conhecer ao entrevistá-las, mas que já conhecia o trabalho.

O que posso dizer é que continuo acreditando no rap nacional, mas temo por sua memória histórica. Mas isso eu deixo para uma próxima...

Clique na imagem e leia na íntegra.

Sou Fela - Poema de Crônica Mendes


Sou Fela

Sou Fela
Sou Problema
Sou a causa.
A minha cor transcende a pela.
Ta no sangue
Na alma.

Abençoado
Amaldiçoado
Sou Fela.
a minha ira
canalizada.
Não sigo cegamente
Sigo firme e forte
A minha mente
Permanece Fela.

O punho erguido
A cabeça erguida
Sou Fela da...
Pros putos racistas.

Sou Fela Nosso
Sou Fela Vida!

Sou Fela
causa.
Transcende a pele
Sou Fela
Ira.
Sangue, mente.
Sou Fela Nosso
Sou Fela Vida!

por Crônica Mendes
Celebrando o Fela Day Brasil 2010
Clique no nome do Poema e baixe em MP3

Já chegou o livro Pelas Periferias do Brasil vol.4

Ontem na Ação Educativa, aconteceu o lançamento da obra 'Pelas Periferias do Brasil" vol 4. Um grande encontro entre os autores e seus leitores, amigos de sempre e novos amigos. Que novos filhos deste fruto possam nascer.
A periferia está se armando.
Leia!

Crônica Mendes
O insurgente.
http://3.bp.blogspot.com/_xvj9rFXyeGA/TLlf4SKeSXI/AAAAAAAAFXA/4h0IuLI1EWc/s1600/DSC00733.JPG
Os autores: Abner, Lids, Gerson, Buzo, Vagnão,Elisandra, Luther e Nina Fideles

http://2.bp.blogspot.com/_xvj9rFXyeGA/TLlgRu3IukI/AAAAAAAAFXI/-hn2KXQCGt0/s1600/DSC00744.JPG
Os autores e convidados

Obs: Logo mais o livro estará a venda aqui no blog. Aguardem!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lançamento do livro Pela Periferias do Brasil Vol. IV



Maior satisfação poder estar junto com estes nomes da literatura periférica. Valeu Buzo o convite! Tamo junto!!!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Um doce, um olhar, um gesto...


“Um Doce Olhar” é o último de uma trilogia de filmes turcos do mesmo diretor. Na língua nativa, o nome original é Mel (Bal, 2010). Doce igual. Assim como os olhares e gestos. Entendi perfeitamente a tradução.

Como qualquer percepção acostumada (e acomodada) aos filmes de Hollywood (e a todos os que seguem a mesma lógica), assistir este filme causa estranhamento. Aquele estranhamento adorável, instigante e que provoca os novos sentimentos e pensamentos. E que incomoda o suficiente para provocar a paz, a naturalidade das coisas.

É o ritmo do filme um dos principais culpados por esta bela sensação. Lento, assim permite que os menores detalhes saltem à tela e nos apresentem os maiores significados. As falas são poucas e de profunda intensidade. O personagem principal (Yussuf) é um garoto de seis anos, gago, mas que aos sussurros estabelece uma relação belíssima com seu pai, um apicultor, que o ouve como ninguém.

A mãe é a representação da figura que se preocupa com o menino, que passa muito tempo sem dizer uma palavra e o pai, aquele que o entende, mas que ao mesmo tempo, o protege da realidade. E s contrastes... A luz e o escuro traçam um perfil emocional do garoto. Dias belíssimos em um cenário grandioso das montanhas ao norte da Turquia. E nas tomadas internas, a melancolia.

E o copo de leite sobre a mesa do café da manhã. A mãe faz questão que o menino tome. O pai, por muito tempo, bebe escondido, a fim de ‘poupá-lo’. E um dia, como se não pudesse mais fugir de sua realidade e dos desafios que a vida o impõe, o garoto vira o copo de leite em segundos e este simples gesto estabelece uma nova relação com sua mãe... e com o mundo. Assim como tantos outros gestos, que vão marcando seus compromissos com as pessoas e com a vida.

Este filme me provocou. Estou há tempos para colocar no papel o que senti, mas o papel não suporta. Portanto, sugiro que assistam.

sábado, 25 de setembro de 2010

Real do Real (FavelaAtitude)

Não são 320 barracos. Não foram 1.200 pessoas atingidas. O incêndio na Favela do Real Parque é mais um dos 58 que ocorreram somente este ano em SP, segundo dados do Corpo de Bombeiros. Encontraram uma maneira mais eficaz para realizar um despejo. Um crime quase perfeito, sem provas. Sem digitais, sem crachás.

Obviamente, nas noticias veiculadas pela imprensa, nunca se sabe a causa destes incêndios. Os jornais anunciam: “é culpa deste período de seca” ou é “muito entulho, plástico e papelão”. Sempre dizem que “será feito um laudo que estará pronto em cerca de 30 dias”, alguns dias depois, o incêndio e o laudo serão esquecidos pela imprensa. As famílias continuarão sem casas, sem seus pertences. E outros incêndios continuarão ocorrendo, e mais famílias perderão tudo! O próprio Estadão já publicou hoje as ações da Prefeitura: “Após maior incêndio do ano, SP cria comissão”. Sabem pra que? Não é para ajudar as famílias atingidas este ano, ou para especificamente cuidar das famílias atingidas no Real Parque, ou resolver a questão da moradia destas pessoas e de tantas outras, mas para buscar "agilidade e eficácia na prevenção e no combate ao fogo".

Os moradores da Favela do Real resistem há anos. Em 2008, manifestações e negociações marcaram a vida das pessoas. O Jardim Edith, por exemplo, foi extinto para a criação da Ponte Estaiada. E um ano antes, em 11 de dezembro, próximo ao Natal, cerca de 140 barracos da favela do Real Parque foram destruídos em uma ação de reintegração de posse movida pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE).

O m² na região do Morumbi vale muita grana e há anos empreiteiras e prefeitura querem a retirada das famílias de lá. O mesmo quadrado que antes da construção cartão-postal valia US$ 1.500 e que há 30 anos valia US$ 100, custa hoje US$ 4.000, isso com base em dados de 2009. É pobre em área nobre. Isso não combina para eles.
E voltando ao hoje, lembremos destas 320 famílias que ontem perderam suas casas e continuam lá no Real, na realidade do Real... Até quando????

Doações de roupas (para crianças e adultos), cobertores e colchões e alimentos estão sendo recolhidas:
Coletivo Favela Atitude - Rua Paulo Bourroul, 377.
Cris: 7015-1801
Cooperifa - Rua Bartolomeu dos Santos, 797, Chácara Santana.

Assista o vídeo da manifestação de 2007 produzido pelo Favela Atitude.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Geogê

Uma singela homenagem em forma de fotografia para o meu parceiro GOG. Continuo sempre aprendendo com esta grande figura. O Poeta do Rap Nacional. Parabéns por cada momento.
Tamo junto!



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um sonho coletivo em construção

A Revista Fórum publicou minha matéria sobre uma linda experiência que tive a oportunidade de conhecer e ainda participar em alguns momentos. Espero que curtam e para os que estão em Sampa ou de passagem, Jandira é pertinho viu?! Só colá!

Toda a força para os moradores da Comuna Urbana do MST Dom Helder Câmara!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cypress Hill, Crosby, Still e Nash

O Cypress Hill, após seis anos sem nada novo na rua, lançou uma música pancada total: Armada Latina. Muito boa a música! Quando ouvi, logo percebi: eles samplearam um grupo que escuto desde bem pequenina, quando na verdade meu pai ouvia. Sempre estive atenta aos sons que tocavam lá em casa e trago isso comigo até hoje. Continuo escutando. O grupo Crosby, Still, Nash, que em um momento teve também a presença de Neil Young, é considerado um grupo folk, que seria um estilo regional, interiorano, dos Estados Unidos. O nome da música é Suite - Judy Blue Eyes, feita há 41 anos, na mesma época em que eles provavelmente estavam nascendo... Sem medo de ousar, Cypress Hill quebrou tudo!




terça-feira, 24 de agosto de 2010

Filho de ninguém


Ouvir o povo falar sobre política é bem provocador e instigante. Me dói o coração entrevistar um trabalhador que reconhece as melhorias diretas das políticas do governo Lula em sua vida, mas que vai votar em Serra pois é preciso ‘mudar’... Neste caso específico, não me contive e perguntei que se formos seguir a mesma lógica de ‘mudança’, no estado de São Paulo ele teria que votar em qualquer outro partido que não o tucano. Mas não foi bem assim que ele pensou...

Mas o que me dói o fígado mesmo é assistir o Maluf no horário eleitoral. Eu sou de Brasília e perdi o prazo de transferir meu título de eleitor - um pouco por desleixo e outro tanto por raiva mesmo -, e mesmo tendo pouco tempo em São Paulo, as merdas do Maluf são interplanetárias. Todo mundo as conhece. Nestas aventuras de entrevistar as pessoas na paulista, uma menina de 17 anos afirmou que vota no Serra e na sua turma, incluindo o Maluf, porque já sabe quem ele é: rouba, mas faz. Ela disse isso, não eu.

Em Brasília a candidatura do nosso Maluf, o Roriz, foi impugnada pelo TRE, com base no Ficha Limpa, e a última notícia que vi foi que ele recorreu. Tudo pode mudar. Isso também aconteceu aqui em São Paulo, quando este político (não ouso chamá-lo de bandido nem mafioso, reconhecendo os bons ladrões da vida) foi proibido de se candidatar, mas que por dúvidas com relação à nova lei, ele pode seguir com a campanha e quem sofre é a gente: ter que encarar aquele idiota falando que cuida da segurança de São Paulo colocando a Rota nas ruas para prender os bandidos. Segundo Eliana Passarelli, do TRE, os candidatos podem seguir com suas campanhas na TV e rádio, e ainda podem estar na urnas eletrônicas para voto, mas caso os recursos não caibam e a Justiça Eleitoral decida manter a impugnação, todos os votos destes tais candidatos serão invalidados.

Bem, a Rota foi criada por este meliante e ainda é motivo de orgulho. Se Deus cria, a Rota mata, quem cagou este ‘filho de ninguém’ que é o Maluf? No início deste mês, um dia após o ataque ao comandante da Rota, o número de pessoas mortas pela polícia foi seis vezes maior que o comum. Em 36 horas, foram oito mortes. E é bom ainda saber que é prática comum desta polícia alegar morte por suspeição, quando a maioria destas pessoas é executada com tiros na cabeça, costas, e com proximidade. Execução! Não tem outro nome. Aconteceu em maio, no Jaçanã, e até o último mês foram 53 mortes em 16 chacinas. E todo dia isso acontece. Não somente nos bairros da periferia, mas onde a elite diz que nenhum pobre pode passar.

E, infelizmente, independente da decisão do TRE SP, me parece que teremos que aguentar o Maluf em SP, Roriz no DF e outros no horário eleitoral até o fim. Mas ainda pior, é saber que ele ainda existe na vida política do nosso país, e ainda pior, mas esta é de amargar, é em alguns momentos ter que cogitar concordar com o Tiririca e rimar. Aff! Lascô!

domingo, 22 de agosto de 2010

Entrevista com João Pedro Stédile, MST.


Compartilho aqui a entrevista que eu e dois companheiros realizamos com o membro da coordenação nacional do MST, João Pedro Stédile, nesta sexta-feira, para a Tv venezuelana Telesur. Ela já foi veiculada pelos jornais de lá durante todo este final de semana.

Como fizemos para TV, são perguntas sucintas para respostas breves e o contexto são as eleições no Brasil.

_________

1- O que está em jogo nestas eleições?
Essas eleições representam o julgamento de duas questões fundamentais na sociedade brasileira. A primeira é uma comparação do governo Lula com o governo Fernando Henrique. O governo Fernando Henrique foi um governo neoliberal, que entregou todas as riquezas do nosso país para o capital internacional. O governo Lula brecou o neoliberalismo. Então as pessoas vão estar julgando, você quer voltar ao neoliberalismo ou quer continuar com o governo Lula, onde não houve transformações estruturais, porém brecou o neoliberalismo. A segunda questão que está em jogo é quais são as forças sociais que estão por trás de cada candidatura. A candidatura Serra representa a grande burguesia paulista, aliada com o capital internacional ou capital financeiro, os latifundiários e a classe média conservadora. E praticamente não há nenhum setor da classe trabalhadora que apóia a candidatura Serra. Na candidatura Dilma, nós temos um setor da burguesia nacional que já estava aliada com o Lula e permanece, um setor do agronegócio mais moderno, a classe média mais politizada e praticamente toda a classe trabalhadora. Posso garantir que uns 90 porcento de todas as forças organizadas da classe trabalhadora estão com a Dilma. Então esta é a questão fundamental, mais do que debate de projetos ou de idéias, que infelizmente pelos métodos de campanha brasileiros se resumem a marketing eleitoral na televisão, mas o fundamental para nós entender é que há por trás das duas candidaturas um confronto de classe, de interesses de classe, do que representa o Serra e do que representa a candidatura Dilma.

2 - Caso a Dilma ganhe, o MST tem esperanças de que a Reforma Agrária seja realizada?
A Reforma Agrária não é só uma questão de governo. A Reforma Agrária é uma disputa de projeto para a agricultura. Nós, os camponeses e trabalhadores rurais temos uma proposta de organizar a produção. Os capitalistas e as transnacionais têm outra. E é isso que se confronta. E o governo tá no meio. O que vai depender de nós avançarmos na Reforma Agrária é se a sociedade brasileira como um todo retomar as lutas de massas, que nós, desde a década de oitenta estamos em refluxo. Então, na verdade a classe trabalhadora é que está em refluxo. O que nós esperamos como uma hipótese otimista é que no governo de Dilma se criarão condições mais propícias para haver debate político na sociedade, para haver participação mais ativa da classe trabalhadora. E nessas circunstâncias, então, se crie um ambiente político que possamos avançar em direção a reformas estruturais no Brasil, não só em relação à Reforma Agrária, mas também em relação aos temas da moradia, do ensino superior, enfim, daqueles temas que interessem e precisam mudanças estruturais e não apenas barrar o neoliberalismo, como foi no governo Lula.

3- E no caso do Serra? A política internacional brasileira se alinharia às políticas conservadoras de outros governos na América Latina e no mundo?
Claro. A candidatura do Serra representa os interesses da alta burguesia internacional. Eu imagino que o Departamento de Estado norte-americano esteja torcendo e investindo para que ele ganhe, porque de fato uma vitória do Serra, ao contrário, representaria também alterar a correlação de forças, não só no Brasil, para a direita, como a nível da América Latina. Os Estados Unidos se sentiriam mais fortalecidos para enfrentar o governo Chávez, para enfrentar o Evo Morales, para enfrentar o Correa no Equador. Então, para a conjuntura latinoamericana é fundamental que nós aqui no Brasil também consigamos derrotar a candidatura Serra.

4- Você comentou sobre um refluxo que vivemos. Descreva o momento em que o MST e os movimentos populares estão passando.
O contexto histórico geral da luta de classes no Brasil é que nós viemos de uma derrota para o neoliberalismo, que foi todo o governo Fernando Henrique, depois com a vitória do Lula estabilizou, criou um equilíbrio entre as forças do capital e do trabalho, e nós estaríamos nesta fase de resistência. Ainda não entramos no reascenso do movimento de massas em que a classe trabalhadora entra em ação, se mobiliza e vai para a ofensiva contra o capital. Nós esperamos que no governo Dilma se criem essas condições para que a classe trabalhadora participe mais ativamente. E os movimentos sociais estão justamente nesta posição, embora nós somos partidos e não necessariamente precisamos indicar em quem votar, mas obviamente e necessariamente, todos das forças dos movimentos sociais estamos lutando para derrotar a candidatura Serra porque uma vitória do Serra seria uma derrota da classe trabalhadora. Seria impor condições que com a volta do neoliberalismo representa para os movimentos sociais uma única coisa que é a repressão porque a burguesia brasileira e internacional, como não quer resolver os problemas do povo, a única maneira de ela conter o povo é na base da repressão. Então, um governo Serra, que felizmente não acontecerá, espero, ele representaria um agravamento dos processos de repressão em nosso país, como, aliás, a direita faz em toda a América Latina, no México, na Colômbia, no Peru e no Chile.

5 - Na época das eleições para o segundo mandato do Lula, o MST fez o seu apoio de maneira muito mais tímida que anteriormente. Qual será a posição do MST nestas eleições?
O MST, como não é um partido, é um movimento social, ele tem que preservar sua autonomia, ou seja, ele não tem obrigação de fazer campanha eleitoral. No entanto, a nossa militância e a nossa base social como cidadãos brasileiros, tem obrigação de participar ativamente das eleições e estão participando, mas isso independe da direção do MST. Isso eles fazem por sua consciência de militantes. E 100% da militância do MST está engajada nesse momento em fazer campanha política para derrotar a candidatura Serra. Essa é a linha que foi adotada por todos os militantes.

6 - Qual o balanço feito destes últimos 8 anos de governo Lula na questão agrária?
A Reforma Agrária está empacada. Ela está numa situação de uma espécie de encruzilhada. Por que? Porque as forças do capital internacional vieram para o Brasil e investiram muito dinheiro. Portanto hoje a agricultura brasileira está a mercê das transnacionais. E isso é uma força poderosa. Nós do MST estávamos acostumados a lutar pela Reforma Agrária enfrentando apenas o latifúndio improdutivo atrasado. Agora não, quando nós ocupamos uma fazenda, nós encontramos do outro lado um banco, uma empresa transnacional, a grande mídia burguesa. Então a força que nós temos que enfrentar para avançar a Reforma Agrária é muito maior. E do lado de cá, ainda nós não criamos uma aliança suficiente dos camponeses sem-terra com os demais setores da classe trabalhadora. Então a nossa força é fraca para enfrentar um inimigo tão poderoso. Aí porque a Reforma Agrária mais do que governo, vai depender também do reascenso do movimento de massas em geral para que isso represente uma força acumulada da classe trabalhadora que consiga enfrentar esses poderosos interesses do capital internacional que estão tomando conta da agricultura brasileira. De novo, nós somos otimistas. Nós achamos que no próximo período o povo brasileiro vai voltar a se mobilizar, vai voltar a se organizar para lutar por mudanças estruturais na sociedade brasileira. E a Reforma Agrária será uma das mudanças necessárias para nós podermos resolver os problemas do povo.

7 - Na avaliação do MST, qual o tratamento que a mídia vem dando às eleições e aos candidatos?
Na época do capitalismo industrial a burguesia reproduzia as suas idéias através dos partidos políticos, das Igrejas, dos sindicatos. Hoje, na etapa do capitalismo internacionalizado, dominado pelo capital financeiro, a principal arma ideológica que a burguesia tem no Brasil e no mundo é a televisão. Então os meios televisivos do Brasil, da América Latina e do mundo são absolutamente controlados pela burguesia que usa isso como uma arma, uma arma ideológica para derrotar a classe trabalhadora e derrotar os governos progressistas. Então, todos os temas que dizem respeito ao povo, aos governos progressistas e à esquerda, a mídia burguesa ataca como inimigo. Aqui no Brasil, assim como em toda a América Latina, a mídia burguesa procura demonizar o Chávez, demonizar o Fidel, Cuba, o Irã, o MST. Ou seja, todos os que fazem lutas sociais e querem mudanças sociais, a mídia burguesa procura desmoralizar, procura atacar. Mas isto faz parte da luta de classe. Nós esperamos que o povo tenha consciência suficiente para perceber que a burguesia usa a televisão apenas como uma arma ideológica. E nós esperamos que a medida que vamos avançando com mais governos progressistas, como é a Venezuela, como é o Equador, como é a Bolívia, nós possamos também impor derrotas a esse controle monopólico que a burguesia tem dos meios televisivos.

8 - Quais os desafios que os movimentos populares na América Latina enfrentarão no próximo período?
O desafio fundamental que nós temos hoje na América Latina é que nós já conseguimos conquistar vários governos progressistas e eu espero, inclusive, que o governo da Dilma seja mais progressista do que o governo do Lula, não por comparações pessoais, mas pela correlação de forças, e nesse bojo agora nós precisamos avançar para a integração popular, que é o que tá condensado na proposta da ALBA. Ou seja, não basta mais nós elegermos apenas governos progressistas, nós temos que construir uma integração entre todos os países da América Latina, uma integração que perpassa a economia, os governos progressistas e, sobretudo, o povo, as forças populares. E nós dos movimentos sociais estamos envolvidos nessa articulação de movimentos sociais construindo a ALBA. E nós esperamos ainda esse ano fazer várias plenárias continentais e temos planejados para em março do ano que vem realizarmos uma grande assembléia continental de todos os movimentos sociais da América Latina que apostamos no projeto da ALBA para desenvolver concretamente ações de solidariedade, de integração e de união de forças entre todas as formas de organização do povo, seja do México, dos Estados Unidos, do Canadá, da Venezuela, do Brasil, do Paraguai, enfim, de todas aquelas formas que se organizam nacionalmente mas que precisam de uma integração continental para aumentar a sua força porque o inimigo é comum. O inimigo é o imperialismo dos Estados Unidos, é o capital financeiro internacional e as suas empresas internacionais. E esses três inimigos é que nós precisamos juntar uma força continental para poder derrotá-los.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

DeXter - Não Vejo Nada (Teaser Oficial)

DeXter - Não Vejo Nada (Teaser Oficial) from Nina Fideles on Vimeo.



"NÃO VEJO NADA é a nova música que Dexter lança como prévia do seu próximo álbum que será lançado em 2011.
Mantendo seu estilo e mostrando que é possível evoluir sem descaracterizar sua obra, o Rapper busca responder e propor uma reflexão sobre os caminhos e a direção que o Hip-Hop deve seguir. Atualmente é comum se deparar com dúvidas sobre a evolução do RAP Nacional, o que divide os amantes da boa música em grupos cronológicos, fomentando discussões e definições sobre escolas, estilos e gerações, criando diferenças dentro do movimento que não agrega valor a diversidade presente no mesmo.
Em NÃO VEJO NADA Dexter define o papel do RAP como música, pautado na essência, na raiz que é a crítica social, que tem como atribuição relatar aquilo que se vive, a realidade. É a música verdade e aponta que a realidade social brasileira pouco mudou e por isso deve-se ver o RAP como um compromisso e não como uma viagem (Sabotage, 2000). Critica a crença que a evolução do Hip-Hop está baseada na tentativa de importar o modelo conteudista atual norte-americano e não vê fundamento em músicas que promovem a ostentação material e a busca por ascensão social na escalada da pirâmide social.

Quem realmente poderia falar dessas coisas?
É um diálogo entre o Oitavo anjo e quem vê que o RAP somente desta forma genérica, fútil e moldada passivamente para o mercado, sem se preocupar com o alicerce que sustenta o movimento e sem ter nunca feito nada por ele.

Com produção de DJ Sinistro, participação de Gregori (Total Drama), colagens de DJ Rodrigo (Inquérito) e DJ Marcelo (Total Drama), NÃO VEJO NADA vem com a intenção de gerar a discussão, a reflexão de quem consome e principalmente de quem produz RAP hoje no Brasil.

Texto: Eduardo Bustamante (Assessoria Dexter)
Edição e Filmagem: Nina Fideles