quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Castelo é de madeira, de lona preta, de palha... 15 anos do massacre de Eldorado dos Carajás


O grupo “A Família” cantou em memória aos 15 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás e também em comemoração aos 15 anos de luta das famílias do assentamento 17 de Abril, em Eldorado dos Carajás, Pará, no último final de semana.

O ato político deste ano aconteceu na ‘Curva do S’, rodovia que liga Marabá à Eldorado dos Carajás e que foi o cenário da violência contra os trabalhadores pela polícia militar do estado, e onde está o monumento em memória aos 19 mortos no dia do Massacre. São 19 troncos de castanheiras cravadas no chão representando a vida de cada um dos militantes e também o desmatamento ocorrido na região amazônica, que tirou da paisagem árvores típicas como as castanheiras.

Na manhã do dia 17 de abril, mais de 500 jovens, que participavam do Encontro da Juventude na Escola Oziel Alves, no próprio assentamento, marcharam cerca de dez quilômetros da rodovia em frente ao assentamento até a curva do S para dar início ao ato político e cultural.

Após uma missa celebrada, o cantor e compositor Rafael Lira, de Belém, cantou acompanhado de sua banda. Diversos representantes de entidades políticas estiveram presentes. João Pedro Stédile emocionou a mencionar os crimes cometidos pela empresa Vale na região e também ao relembrar o ato de violência que ali aconteceu.

Neste momento, A Família já se preparava para subir ao palco e a recepção de todos foi surpreendente logo no início do show. Mesmo com o sol muito quente, as pessoas ficaram presentes e atentas às músicas e às falas de Crônica Mendes e Demis Preto Realista. A música com certeza rompe fronteiras e chega em todos os lugares, independente de ser campo ou cidade, a mensagem é direta é clara para todos aqueles que lutam.

A Familia e MST


O grupo já realizou diversas atividades junto ao MST em Campinas, Sumaré, Limeira, Jandira, Hortolândia, São Paulo e Brasília. No interior paulista, estiveram juntos em diversas escolas propagando o rap e a luta pela terra na região e no Brasil. Na Marcha Nacional de 2005, o grupo esteve presente no ato político em frente à Esplanada dos Ministérios. Atos e festas de celebração em assentamentos consolidaram esta relação entre o “A Família” e o MST.

Além das letras e do próprio trabalho desenvolvido pelo grupo nas comunidades do interior paulista, a música Castelo de Madeira permitiu que a identificação e aliança se fortalecessem. Mais tarde, o clipe da mesma música ganhou as telas e marcou ao utilizar algumas imagens do Massacre contra trabalhadores Sem Terra na ‘curva do S’, na rodovia que liga Marabá à Eldorado dos Carajás e ao final aparecer um menino morador do Jd. Colombo, Paraisópolis, segurando uma bandeira do MST. Cena esta que no ano seguinte virou capa da agenda do Movimento.

Clique AQUI e confira as fotos.

2 comentários:

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  2. O lema do MST "Ocupar, Resistir e Produzir" tbm serve pro rap. "Ocupar os corações, Resistir as investidas do sistema e Produzir conceito atravès da arte."

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