O tema gênero vem me rendendo vários problemas...kkk. Toda vez que me coloco em um debate, muitas pessoas me jogam pedras. Por que? Porque acredito, e defendo, que discutir gênero não é discutir a mulher somente, ainda mais somente com mulheres. Ação de mulheres é diferente de debates de mulheres. Os homens devem sim participar destes debates. Afinal de contas, ninguém vai fazer a revolução sozinha. "Ação, senão revolução acaba em moda!" Já diria GOG.
Mas este meu breve desabafo não é o principal motivo deste post. O que quero socializar neste espaço desta vez é que ganhei a tarefa (dificílima) de tratar a questão de gênero para as crianças Sem Terrinha. Me desafiei a fazer o texto, baseando-me em nosso debate coletivo. Falamos de cores, futebol, e diferenças. Tratar as diferenças para, a partir daí, construir nossa igualdade. Somos sim diferentes, mas sempre iguais! Isso mesmo! É claro que para o espaço que temos no Jornal e pelo próprio meio, o texto não se propõe a responder perguntas ou aprofundar debates, mas sim levantar questões que permitam ao educador trabalhar este tema. Inclusive, propomos também que as crianças preparem, com o diálogo do texto, um teatro a ser apresentado na escola, no acampamento, assentamento... Incentivando também os educadores a trabalhar as artes para abordar temas, digamos, mais complexos.
Segue texto. Logo mais coloco o nosso Jornal das Crianças Sem Terrinha em PDF, com as ilustrações e tudo o mais, para quem tiver o interesse.
Um lugarzinho especial
Sob o teto de lona preta, as estrelas não param de brilhar. Dentro do barraco, a luz das velas ilumina o único cômodo. Estela, a mãe, está grávida de cinco meses. Marcos, o filho mais velho, com seis anos, admira a barriga da mãe como se fosse uma lua cheia, enquanto o pai, Mateus, esquenta um café. Em um salto, de repente, pergunta:
M - Mãe, por que papai nunca fica grávido?
Os grilos la foram se manifestam...cri, cri, cri.... Deixando ainda mais forte o silêncio de Estela que olha para o pai.
E – Filho, só a mamãe pode engravidar.
M – Por que?
E – Por que as mulheres têm um lugarzinho especial dentro delas, chamado útero, feito para guardar o bebê. Ele fica lá quentinho e crescendo, ficando forte, até chegar uma hora em que ele está grande demais para caber ali e aí...hora de nascer!
M – Mas se você faz tudo, por que o papai é pai?
E – Os homens colocam uma sementinha em um ovinho que a gente guarda neste lugar especial.
M –Entao nós somos umas plantinhas?? - pergunta quase rindo.
E – Sim, podemos dizer que sim. A mamãe é a terra e o papai o semeador.
M – Gostei! Quando eu for uma árvore grande e forte eu quero ser igual o papai. Trabalha o dia inteiro na roça e volta pra casa com o jantar preparado e tudo na casa limpinho!
E – Mas não é bem assim, querido. Nós dois dividimos as tarefas dentro de casa e fora também. A mamãe também vai pra roça, cuida dos animais, assim como o papai também cozinha e cuida da casa. É claro que não é em todo lugar que isso acontece...
M – Mas mãe, existem muitas diferenças entre vocês dois. Você tem peitos maiores e o papai é mais forte. Na escola também! As meninas vão brincar de casinha enquanto a gente vai jogar bola. E as coisas de menina são rosinha e as de menino são azul...
– Existem diferenças sim, mas as mulheres e os homens podem fazer o que quiserem. As meninas podem jogar futebol também, e vocês, meninos, podem usar outras cores que não azul. Podem usar, rosa, laranja...
M – Humm.... Legal! Então que dizer que mesmo com estas diferenças a gente é igual??
E – Sim. Devemos repeitar as nossas diferenças, respeitar um ao outro, mas não podemos dizer nunca que uma mulher não seja capaz de fazer alguma coisas e nem que o homem não pode cozinhar porque é coisa de mulher....
Marcos volta a admirar a barriga da mãe.
M – Se ela for menina, quero jogar futebol com ela então. Posso mamãe?
E –Claro!
Marcos foi dormir diferente aquela noite. Teve um sonho com muitas cores, bebês e futebol. Jogava em um time com a camisa rosa e ele era o número dez. No dia seguinte, propôs à turma um campeonato misto e ainda disse que a única coisa que ele não poderia fazer era ter bebês quando crescer, pois não tinha aquele tal lugarzinho especial. Depois de alguns meses, sua irmãzinha nasceu, ganhou o nome de Dandara. De qualquer forma, ainda gostava de imaginar o céu pintado de várias cores e as mulheres e homens sempre trabalhando juntos.
terça-feira, 2 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Faça Por Amor na Cooperifa
Na segunda-feira, dia 22, o clipe Faça Por Amor, produzido por mim e mais dois camaradas, juntamente, é claro, do Crônica Mendes, autor da música. Editei este vídeo como forma de socializar o acontecimento.
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Depois da repercussão na internet, o clipe "Faça Por Amor" foi lançado oficialmente no Cinema na Laje, na Cooperifa, nesta última segunda (22). Nas grandes telas da periferia!
Muito bem acompanhado na apresentação do dia com o documentário Várzea - O futebol jogado na beira do coração, do estreante diretor Akins Kinte, o grupo “A Família” prestigiou mais uma noite iluminada no Zé Batidão. A lua de fato brilhou quando a chuva deu uma trégua. Quem vinha do centro, fazia um esforço para além do trânsito buscando chegar na hora e não perder o momento.
Para Crônica Mendes, “um clipe feito pela periferia, para a periferia, não poderia ter o lançamento feito em outro lugar que não na periferia. É preciso quebrar o estigma da centralização. As periferias estão fazendo arte da melhor qualidade e estão consumindo-as”.
A tod@s os presente, um muito obrigado. Cooperifa, é nóis que tá.
Para assistir o clipe clique AQUI.
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Depois da repercussão na internet, o clipe "Faça Por Amor" foi lançado oficialmente no Cinema na Laje, na Cooperifa, nesta última segunda (22). Nas grandes telas da periferia!
Muito bem acompanhado na apresentação do dia com o documentário Várzea - O futebol jogado na beira do coração, do estreante diretor Akins Kinte, o grupo “A Família” prestigiou mais uma noite iluminada no Zé Batidão. A lua de fato brilhou quando a chuva deu uma trégua. Quem vinha do centro, fazia um esforço para além do trânsito buscando chegar na hora e não perder o momento.
Para Crônica Mendes, “um clipe feito pela periferia, para a periferia, não poderia ter o lançamento feito em outro lugar que não na periferia. É preciso quebrar o estigma da centralização. As periferias estão fazendo arte da melhor qualidade e estão consumindo-as”.
A tod@s os presente, um muito obrigado. Cooperifa, é nóis que tá.
Para assistir o clipe clique AQUI.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
O Cão - horóscopo chinês
Os acordes marciais me convocaram
Para ouvir suas aflições
Para acalmar a sua dor.
Eu sou o defensor da justiça.
Igualdade, minha única amiga
Minha visão nunca é emperrada pela covardia.
Minha alma nunca é aprisionada.
Uma vida sem honra
é uma vida em vão.
Eu sou o cão.
Para ouvir suas aflições
Para acalmar a sua dor.
Eu sou o defensor da justiça.
Igualdade, minha única amiga
Minha visão nunca é emperrada pela covardia.
Minha alma nunca é aprisionada.
Uma vida sem honra
é uma vida em vão.
Eu sou o cão.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
As palavras
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Na luta fazendo poesia, na poesia fazendo luta.
Hoje me lembrei do grande amigo Charles. Lutador e poeta. Aqui vai uma nota que escrevi e foi publicada no Boletim do Kaos com uma poesia dele ainda em dezembro de 2009. Deliciem-se.
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Quem disse que na luta não se faz poesia? E que na poesia não se luta? Charles Trocate, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, sempre encontra um tempo para pôr no papel seus escritos, mesmo em tempos mais acirrados na luta pela terra.
No dia 06 de novembro, ele teve seu mandato de prisão expedido. As acusações são sempre as mesmas... Mas muito nos alegra receber notícias suas em doze de novembro, quando ele enviou mais uma bela poesia.
Charles é paraense. Tem em seu coração e alma a cultura amazonense. Nasceu na beira do rio Apéu, Castanhal e começou a militar muito cedo quando entrou no MST em 1986. Escreveu em 2002 o livro Poemas de Barricada e em 2007 lançou os dois livros de poesias Ato Primavera e Bernardo, poemas de combate! Hoje, com 29 anos não dá trégua. Luta, escreve, ama.
PARA QUEM QUISER...
Se é agosto
A concepção vai torta
Tudo anda avesso e daí?
Quem governa não sabe de mim,
Nem dos camaradas afáveis.
Mas meu amor
É um plano invicto e tem dorso
Beija a outra margem do sol,
É um ato sem nome
[perambulando!
A vida não é apenas isso.
Mas o que fazer se a política endoideceu as palavras
Não sabe nada de coisas passadas.
O que torno dizer
É indivisível
Não pode ser paradoxal
A geografia de tudo não cabe
[no coração.
Se me escapo
O riso é de pura aventura
O fio da razão seqüela ainda mais a imperfeição,
O que fazer?
Entre o fervo
E a palavra toda aflição
Que a lucidez implora.
Não há consenso
A pedra é pedra e fura o desespero
É inútil tanto palácio!
Meu silêncio tem um estômago
Confronta sem amizade,
Seu equilíbrio
É música que danço sem
[fim!
Nessa distância
Só posso me inventar.
O medo tem sua estratégia
Arrogante se joga no ar!
Aqui entre as rugas do poder
Só há destinos tímidos
Fantasmas letrados?
Pelas ruas de mim
Não passará o hipócrita!
O cuscuz das horas beira a
[intimidade
Resmunga
Um sabor de tão futuro,
O que querem vocês com os muros?
Se o mundo é pequeno saio de dentro dele, e daí?
A luta como meio
O poema como fim!
A carícia é apenas slogan.
Em todos os cantos
O cartaz do passado devora e etc...
E o olhar deixou de ser
A fronteira da dor.
Quem quer essas rimas, quase infames?
Só peço, meu sobrenome
Não é panfleto
Seu uso é apenas da classe.
Quem é mesmo esse obeso Hiroshi?
A fala não entende nada de mim
O superficial já esgotou-se
Tem bolso
O delírio que se faz assim?
Entendam, o mapa quer outro mapa.
Mesmo uma felicidade!
E os lobos, mil estepes
Como não quer o covarde.
Como sangra
O presente e seus bajuladores!
A ordem, sinto muito...
Ficará sem meu amém!
A luta como meio
O poema como fim!
A carícia é apenas slogan.
Charles Trocate
Novembro de 2.009
De algum lugar desse país, de notícia de jornal.
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Quem disse que na luta não se faz poesia? E que na poesia não se luta? Charles Trocate, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, sempre encontra um tempo para pôr no papel seus escritos, mesmo em tempos mais acirrados na luta pela terra.
No dia 06 de novembro, ele teve seu mandato de prisão expedido. As acusações são sempre as mesmas... Mas muito nos alegra receber notícias suas em doze de novembro, quando ele enviou mais uma bela poesia.
Charles é paraense. Tem em seu coração e alma a cultura amazonense. Nasceu na beira do rio Apéu, Castanhal e começou a militar muito cedo quando entrou no MST em 1986. Escreveu em 2002 o livro Poemas de Barricada e em 2007 lançou os dois livros de poesias Ato Primavera e Bernardo, poemas de combate! Hoje, com 29 anos não dá trégua. Luta, escreve, ama.
PARA QUEM QUISER...
Se é agosto
A concepção vai torta
Tudo anda avesso e daí?
Quem governa não sabe de mim,
Nem dos camaradas afáveis.
Mas meu amor
É um plano invicto e tem dorso
Beija a outra margem do sol,
É um ato sem nome
[perambulando!
A vida não é apenas isso.
Mas o que fazer se a política endoideceu as palavras
Não sabe nada de coisas passadas.
O que torno dizer
É indivisível
Não pode ser paradoxal
A geografia de tudo não cabe
[no coração.
Se me escapo
O riso é de pura aventura
O fio da razão seqüela ainda mais a imperfeição,
O que fazer?
Entre o fervo
E a palavra toda aflição
Que a lucidez implora.
Não há consenso
A pedra é pedra e fura o desespero
É inútil tanto palácio!
Meu silêncio tem um estômago
Confronta sem amizade,
Seu equilíbrio
É música que danço sem
[fim!
Nessa distância
Só posso me inventar.
O medo tem sua estratégia
Arrogante se joga no ar!
Aqui entre as rugas do poder
Só há destinos tímidos
Fantasmas letrados?
Pelas ruas de mim
Não passará o hipócrita!
O cuscuz das horas beira a
[intimidade
Resmunga
Um sabor de tão futuro,
O que querem vocês com os muros?
Se o mundo é pequeno saio de dentro dele, e daí?
A luta como meio
O poema como fim!
A carícia é apenas slogan.
Em todos os cantos
O cartaz do passado devora e etc...
E o olhar deixou de ser
A fronteira da dor.
Quem quer essas rimas, quase infames?
Só peço, meu sobrenome
Não é panfleto
Seu uso é apenas da classe.
Quem é mesmo esse obeso Hiroshi?
A fala não entende nada de mim
O superficial já esgotou-se
Tem bolso
O delírio que se faz assim?
Entendam, o mapa quer outro mapa.
Mesmo uma felicidade!
E os lobos, mil estepes
Como não quer o covarde.
Como sangra
O presente e seus bajuladores!
A ordem, sinto muito...
Ficará sem meu amém!
A luta como meio
O poema como fim!
A carícia é apenas slogan.
Charles Trocate
Novembro de 2.009
De algum lugar desse país, de notícia de jornal.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Faça Por Amor - Clipe Oficial
Assistam, divulguem e comentem: O video clipe oficial do grupo "A Família"
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