terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Entre o amor e as grades

Socializo aqui uma matéria minha publicada na Revista Fórum. Espero os comentários.

Entre o amor e as grades


Por Nina Fideles

São cinco horas da tarde na praça ao lado do terminal Barra Funda, na capital paulista. É uma sexta-feira e muitas mulheres começam a chegar, carregadas de sacolas e muitas crianças. Algumas chegaram bem mais cedo. O comércio de vendedores ambulantes no local também é muito específico. Sanduíches naturais, chocolates, sacolas transparentes e cigarros, muitos cigarros.

E é assim toda sexta-feira na praça. Estas mulheres enfrentarão seis, nove horas de viagens para chegar aos seus destinos. Mirandópolis, Reginópolis, Hortolândia, Lavínia, Ribeirão Preto, Paraguassu, Avaré... Em cada canto da praça, um itinerário. Bolsas são marcadas com os nomes e a espera é longa. Enquanto isso, muita conversa. São namoradas, esposas, mães que cumprem pena junto com seus maridos e filhos.

Muitas mulheres, muitas histórias. Todas elas se submetem a revistas íntimas humilhantes, a sacrifícios financeiros e pessoais, e mantêm segredos com a família e amigos para continuarem sustentando um relacionamento com presos.

Patrícia* tem 22 anos, mas encara essa realidade desde os 18, quando o seu namorado, dois anos mais velho, foi preso. “É horrível, terrível. Já desisti, voltei a visitar, engravidei com 19 anos. Amo muito ele e vou esperar.” E assim é também para Letícia*, 31, Elaine, 27, Márcia*, 24, Maria*, 62, Selma*, 42, Gláucia, 23, Karina*, 22, Sílvia, 47, e muitas outras mulheres que vivem entre o amor e as grades.


A espera de anos e horas Ao chegarem à praça, elas pegam uma senha que vale para a entrada no presídio. Selma, por exemplo, preferiu chegar às 13h para garantir a senha número 1 na visita ao marido de 40 anos, preso há sete. Saindo entre as 20 e 22h, costumam chegar às cidades onde estão os presídios entre 2 e 4h da manhã. No estado de São Paulo existem 85 penitenciárias masculinas, incluindo os Centros de Detenção Provisória, que acabam nem sendo tão provisórios assim. Sem contar as colônias e as cadeias públicas, onde estão os presos prestes a sair em liberdade.

Segundo o Departamento Penitenciário Nacional, o Depen, 85% dos 134.066 presos no estado recebem visitas. As mulheres viajam de ônibus, de carro, de vans ou vivem próximas aos presídios onde estão seus maridos. Os cuidados nas viagens são muitos. Silvia, que está com o marido de 43 anos preso há seis, explica que quando pode ir de carona com algumas amigas de carro, ela prefere, mesmo gastando um pouco mais. Ela explica o motivo. “Quando acontece alguma blitz no caminho algumas mulheres que estão levando drogas podem jogar nas suas coisas e daí você leva a culpa. Conheço muita mulher que foi presa por conta das outras.” Por isso, as orientações de quem organiza os ônibus e também dos presos para o uso de sacolas e bolsas plásticas transparentes. Na blitz, as mulheres são levadas à base móvel e despidas. Karina, que teve seu primeiro contato com o sistema penitenciário há três anos, conta que algumas vezes “teve até cachorro farejando a gente. É muito constrangedor. E ainda ter que passar por isso de novo na cadeia”.

Ao chegarem aos seus destinos na madrugada, não há descanso. A maioria vai para as pensões e começa a se preparar. Poucas conseguem dormir antes de ir para a porta da cadeia. E quem prefere não compartilhar este momento e espaço com outras mulheres fica em hotéis ou chega até a alugar casas. Mas estas são raras.
Nas pensões, as mulheres contam que não param. Cozinham, se arrumam, trocam fraldas. Algumas mulheres preferem levar toda a comida já pronta. “É criança chorando, mulher cozinhando e até enrolando droga...”, diz Karina, que evita ficar em pensões por recomendações do namorado. Já para Elaine, que acompanha o marido de 30 anos, preso há seis, conta como é seu cotidiano. “A rotina é ir para a pensão, arrumar o jumbo** e ir pra porta da cadeia ‘pagar veneno’. Mas pensa? Domingo ninguém quer estar em porta de cadeia, quer é fazer um churrasco com os amigos”.

Mas há quem não vá para pensão nem para abrigo nenhum. As histórias de dormir na porta da cadeia são muitas. Ao relento ou em barracas. Patrícia passou um tempo indo visitar o marido e acabava dormindo numa cobertura em uma avenida bem próxima ao presídio para pegar uma senha menor. “Os carros ficavam passando, cachorro latindo. Já ouvi muito comentário. Me chamaram de puta, de guerreira...”, conta. “Imagina tudo isso em dia de chuva? Mulher de preso não existe pra eles”, afirma Selma.

As revistas vexatórias Ainda às quatro da manhã, as filas nas portas dos presídios já estão formadas e continuam a crescer. A pior parte ainda está por vir. A revista íntima e a revista do jumbo. Com o aumento do número de celulares dentro dos presídios, em 1992 o governo do estado de São Paulo passou a implementar as revistas íntimas, que consistem no desnudamento e agachamento. Maria, de 62 anos, que está com seu filho de 31 preso há 10 anos, se enfurece. “É muita humilhação. Tem ginecologista que não faz isso! É a maior falta de respeito”.

Mesmo sendo proibido realizar uma espécie de exame de toque, alguns relatos escapam da boca das mulheres. “A gente tem que agachar três vezes de frente e três vezes de costas. Quando implicam com alguma pessoa é um constrangimento enorme. Daí elas querem que você abra bem as pernas, abrem com a mão, pois elas querem ver lá dentro mesmo”, conta Márcia, que entre términos e voltas com o namorado de 27 anos, enfrenta o final de semana em porta de cadeia há oito.

A revista é para todos. As crianças também passam pelo desnudamento. Patrícia nos conta que uma vez uma mulher quase foi linchada pelas outras na cadeia, “Tinha uma criança que não parava de chorar na fila. Chegando na hora da revista, a funcionária tirou a fralda e tava cheio de sangue. Era a droga que a mãe tinha colocado na vagina da bebezinha. Esse monstro foi preso na hora.”

Para Letícia, esta é com certeza a pior parte. O marido de mesma idade já está preso há oito anos. “A funcionária chama até cinco pessoas de uma vez. Pede pra abrir a boca, mexe no cabelo. É horrível!”. Por usar aparelho, Karina é obrigada a passar pelo detector de metais apenas de calcinha duas vezes, uma ao entrar e outra ao sair. Já Selma conta que inúmeras vezes foi impedida de entrar com o seu aparelho auditivo. E é sempre a mesma agente que implica com ela. “Sem ele eu não escuto nada, não é um luxo, não é um sapato novo, é um aparelho de extrema necessidade pra minha vida”, lamenta.

Segundo o diretor do Depen, Airton Michels, “o Estado deve pelo menos reduzir as dificuldades que as mulheres encontram para realizar suas visitas. Nós temos que investir em tecnologias para impedir que as mulheres tenham que ser submetidas a estas revistas vexatórias”. Mesmo assim, as revistas são aplicadas em todos os presídios do estado de São Paulo.

Para Gláucia, nem é a revista íntima sua maior indignação. “A maior humilhação é ter que jogar comida fora. Você tira da sua casa, da boca do seu filho. Colocar a comida em plástico também não dá. Eu não tô levando comida pra cachorro”, protesta. Márcia também já passou pela mesma situação. “Em muito lugar que passei, o pessoal pedia para tirar a comida do tupperware e despejar dentro dos saquinhos plásticos. Eles não são porcos para comer lavagem.”

As exigências são muitas. O jumbo tem que ser preparado com o maior cuidado, caso contrário, muita coisa não entra e deve ser jogada fora. Três sabonetes, daqueles transparentes, três rolos de papel higiênico, pois os que dão lá parecem uma lixa, dizem elas. Creme dental, só o branco. Pacotes de biscoitos e doces devem ser levados em sacos plásticos transparentes, com limite de peso. Estas especificações variam pouco entre os presídios. Raríssimos têm balança, assim a quantidade de peso é determinada “no olho” do agente, o que pode gerar confusão. Mas elas sabem que qualquer complicação ou briga com algum funcionário neste momento pode implicar consequências para o marido preso, por isso, a receita é ser paciente. “Aguentamos tanta coisa pra poder entrar”, diz Elaine.

Karina ri ao contar como é a visita íntima. “Fazer o que, né?! A gente aprende a fazer assim quando tem mais de cinco casais na mesma cela. É entre três lençóis e uma parede”. Com o som da televisão no último volume, os casais aproveitam sua pouca privacidade. Letícia conta, envergonhada, que uma vez a filha mexeu em um dos lençóis e acabou vendo a intimidade dos outros. Isso não impede que estas mulheres engravidem.

Porém, este sistema, vez ou outra, gera alguns problemas, por exemplo, quando o casal perde o horário da visita e assim o preso acaba tendo que pagar um castigo. “Com a televisão muito alta, acontece de alguns não ouvirem ninguém batendo na porta informando o final das visitas”, relata Márcia. Ou quando acontece uma briga de casal e todos da cela acabam ouvindo.

E a vaidade é necessária. Com o namorado preso as mulheres realizam um verdadeiro ritual semanal para o encontro. “Na terça-feira você já começa a se arrumar. Depilação, pinta unha, faz sobrancelha, compra uma lingerie nova, paga em dez vezes”, comenta Karina rindo, “sempre querendo fazer alguma coisa diferente”.

Romances clandestinos

Todas essas mulheres desejam o mesmo para suas vidas: viver com seus maridos e namorados bem longe da rotina imposta pelo sistema prisional. Seus filhos, concebidos em sua maioria nas visitas íntimas em cadeias, especialmente das moças mais jovens, acham que estão indo visitar seus pais no trabalho. Alguns pais, como é o caso de Letícia, nem sabem que suas filhas enfrentam esta rotina há anos. “Da minha família ninguém sabe. Minha mãe morreu há 17 anos e eu estava morando sozinha. Agora que voltei a morar com meu pai, ele acha que estou indo para um sítio com os meus amigos”, confidencia.

Os pais que sabem resistem, afinal não foi este o futuro que planejaram para suas filhas. Alguns acabam respeitando a escolha delas e até ajudam, como a mãe de Karina. “Não quero isso pra ela. Minha filha, mulher de porta de cadeia? Queria que ela arrumasse um rapaz aqui fora. Engraçado é me ver na sexta-feira à noite cozinhando salgados para ela levar.” Karina garante que os salgados fazem sucesso com o namorado e seus amigos.

A maioria das mulheres conta que escondem o relacionamento com presos no trabalho, na escola e até dos amigos. Muitas afirmam fazer isso por que sabem que se alguma coisa acontecer na empresa, se algo sumir, ou se forem assaltados, elas serão as primeiras suspeitas. Ou mesmo para evitar perguntas e olhares preconceituosos.

Márcia sempre trabalhou e nunca contou para ninguém no serviço. “Que nem eu falo com o meu marido. Não tenho vergonha de você, mas não me orgulho do que você fez e de onde você está! O pessoal fala que todo final de semana eu viajo. ‘Haja dinheiro!’, então eu falo que o meu namorado trabalha longe”, alega.

Manter esta rotina também não é fácil para o bolso. Segundo Maria e Selma, o custo em um final de semana é de R$ 300. As passagens dos ônibus da Barra Funda variam entre R$ 60 e R$ 80. As idas na quinta-feira são mais baratas e algumas passagens já incluem a hospedagem na pensão, mas o custo maior é com a compra de comida e utensílios de higiene. Sem elas, os presos têm de se alimentar somente da comida fornecida pela prisão que, segundo elas, é pior que lavagem e vem azeda muitas vezes. Quando elas não conseguem arcar com todos os custos, o preso acaba tendo que ajudar. “Ladrão entra de carro importado e sai pedalando, pois gasta tudo com as visitas”, diz Elaine. “Já tô ficando deprimida de ficar em porta de cadeia”, completa.

Neste ambiente é raro ver um homem carregando jumbo. Entre as várias mulheres que estavam esperando a saída dos ônibus, estava seu José, de 63 anos. Ele vem uma vez por mês do Tocantins para visitar seu filho, preso em Paraguassu há três anos. “Sou mãe e pai”, diz ele, se referindo à ausência de homens no local. “Acho que as mulheres sofrem demais. Passam por este sacrifício todo, daí quando eles saem chutam a bunda delas.”

O RDD aplicado às famílias
Márcia está com 24 anos, seu marido com 27, preso há oito. Ele já mudou diversas vezes de presídio e hoje está em Presidente Venceslau sob o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Nas palavras de Michels, o RDD é uma alteração na lei penal para que o preso que tenha cometido alguma falta grave fique isolado dos demais. Esta mudança acarretou também mudanças na vida de Márcia. Agora são oito horas de viagem para apenas um dia de visita no final de semana e somente durante quatro horas.

Em Venceslau, todos ficam em um pavilhão dividido por raios. São quatro áreas de visita. Quem não tem visita fica numa cela chamada de contenção, e quem está recebendo visita fica na cela trancado. “Nos outros presídios a visita é na cela, mas não fica trancado. Quem tem criança, a criança pode ficar brincando no pátio... Lá não, fica todo mundo trancado”, explica.

O RDD é aplicado em três penitenciárias no Brasil desde 2003. Muitos defensores dos direitos humanos insistem na inconstitucionalidade do regime. São menos presos em cada cela e apenas duas horas de banho de sol diárias. Márcia conta com indignação o processo para retirar um preso da cela para outra: “Ficam doze caras armados, encapuzados, com escudos na mão e em posição de ataque. Eles não são monstros”.

* Nomes fictícios. Estas mulheres preferiram preservar seus nomes, pois escondem do trabalho, dos amigos e, às vezes, da própria família esta realidade.
**Jumbo – Sacolas com comidas e materiais de higiene pessoal. Em alguns casos, eles são enviados por sedex, mas assim demoram muito a chegar e a comida pode estragar.


Caráter punitivo e seletivo do sistema prisional



O que as famílias de presos passam não está separado do que os presos vivem. Como estas próprias mulheres dizem, elas estão “pagando cadeia” junto com os seus maridos, namorados e filhos. Para falar mais sobre esta política de Estado que envolve todo o sistema prisional, Fórum conversou com a socióloga e membro do Instituto Carioca de Criminologia, Vera Malaguti.

Fórum – Como definir a atual política de Estado que deposita no sistema penitenciário a solução para o problema da segurança?
Vera Malaguti – Acho que nem sempre foi assim. Este é um modelo norteamericano que chegou depois da democratização, a partir dos anos 80, e veio junto com a política econômica neoliberal. Houve momentos na história do Brasil em que se prendeu muito menos. Toda a teoria marxista sobre a questão criminal vai trabalhar a prisão como um dispositivo complementar à fabrica, como um disciplinamento da mão de obra do exército industrial de reserva. Nesta fase do capitalismo, com a intensificação da revolução tecnológica, com a precariedade do trabalho, a flexibilidade, o fim da ilusão do pleno emprego, a prisão alcançou níveis inéditos.

Nos EUA, por exemplo, existem dois milhões de presos fechados, cerca de seis milhões em penas alternativas e 55 milhões de trabalhadores fichados no sistema criminal. Grande parte deste pessoal é ou afrodescendente ou latinoamericano. A prisão é um organismo seletivo. A função de punir seletivamente existe desde quando ela foi inventada na revolução industrial. E tudo isso é costurado pela cultura punitiva, que está sempre pedindo penas mais rigorosas. Estamos vivendo um período democrático no Brasil, em que nunca se prendeu tanto, um Estado nunca matou tanto, e nunca se torturou tanto. Agora, existem setores que lucram muito com isso, como a indústria de armas, a indústria das prisões... A indústria do controle do crime vai desde os investimentos milionários em polícias, armamentos, carros, blindagem, alarmes, vigilância eletrônica, tornozeleiras.

Fórum – E neste tempo, o que a esquerda elaborou sobre o assunto?
Malaguti – Parte da esquerda tem dois problemas com relação à questão criminal: ela caiu na armadilha do discurso moral e, em segundo lugar, tem um histórico problema com relação ao lúmpen. Na minha modesta opinião, como a classe trabalhadora brasileira é um pouco recrutada entre os escombros da escravidão e do extermínio das civilizações indígenas, ela não tem, digamos, as feições do marxismo clássico. Por estas duas razões, e também por uma falta de conhecimento da literatura marxista sobre a questão criminal. Por exemplo, na questão ambiental a gente pede pena, as grandes mineradoras têm capacidade de se defender do sistema penal e quem acaba preso é o agricultor do MST ou então o caçador de passarinho.

Nenhum movimento revolucionário se deu por meio do sistema penal, pelo contrário, eles se dão contra as prisões. Acho que a gente ainda não conseguiu entender a passagem que existe entre o crime político e o crime comum. Ficamos com medo de que a imagem de defender bandidos caia sobre nós. Ninguém tem coragem de tocar neste assunto.

Fórum – Como fica a situação das famílias destes presos considerando o caráter seletivo do sistema?
Malaguti – Este modelo que aposta no emparedamento em vida, na incomunicabilidade, nas penas mais longas, produz um sofrimento adicional. Além do impacto econômico, porque não existe possibilidade de defesa, e na maioria dos casos as mulheres têm que se virar para pagar o advogado. As famílias são criminalizadas também e são punidas adicionalmente, pela dificuldade de ver seus filhos, pelo caráter seletivo e classista de juízes, da justiça.

Quem está sendo preso? A juventude popular. Uma geração inteira, 500 mil pessoas que estão principalmente na faixa dos 18 aos 25 anos, tendo seus problemas tratados por este sistema que tem uma dinâmica do Carandiru, mas sonha em ser Guantánamo. Uma prisão completamente incomunicável, em um território de difícil acesso. Não consigo ver como isso vai ajudar em alguma coisa. Apostar nos vínculos e no acesso às pessoas é a única maneira da gente produzir esperança.

Fórum – O que pode ser feito para resolver este problema?
Malaguti – Tínhamos que produzir uma pauta sobre este assunto coletivamente. Acho que a gente tinha que prender menos, soltar mais, sair do modelo de Estado policial, trabalhar a nossa polícia muito mais no sentido de defesa civil do que punitivo, rediscutir a questão de drogas por um olhar latinoamericano e não um olhar norteamericano. Acho que tinha que abrir a comunicação da prisão, amparar os familiares de presos e ter a coragem de discutir a questão criminal sem reproduzir a pauta da direita e da terceira via, da social democracia. A gente tinha que ter uma pauta que não é a mesma do capitalismo. O que é isso? O papel da esquerda é ajudar a disciplinar a mão de obra para o capitalismo de barbárie? Não é possível que a gente não tenha um outro diagnóstico sobre isso.

Acesse o link da matéria.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ritmo e Poesia

Taí um esquema que acredito. Cada um vai ter o seu jeito de fazer, de entender... E o tempo passa, as coisas mudam, e ainda temos tanto que crescer. Desprender de algumas coisas, aprender outras e seguir em frente. Sem medo, mas nunca perdendo a essência.
Seguem algumas fotos tiradas por mim ao longo dos tempos. Ainda virão muitas pela frente. Esta foi apenas uma rápida edição do que tenho no flickr. Acessem lá e vejam outras: www.flickr.com/ninafideles.
Valeu!
Um salve a tod@s.





quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Incra e madeireiros distorcem Reforma Agrária no Pará

Incra e madeireiros distorcem Reforma Agrária no Pará

por Nina Fideles,
enviada especial a Santarém (PA)

Ao final de 2006, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), junto do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), deu ampla publicidade à conclusão das metas do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) do ano. Segundo o órgão, 136.358 famílias em todo o Brasil foram assentadas. Curiosamente o Pará apresentou o maior número de assentamentos.
Foram 60.638 famílias, somando as Superintendências Regionais (SR) de Santarém, Marabá e Belém.

A SR-30 de Santarém tem apenas dois anos, mas, segundo os dados, foi a que mais realizou assentamentos: 33.700. Estranhamente, o Norte do país não é uma região com grandes concentrações de terras em fazendas improdutivas, onde o governo poderia fazer valer a Constituição Federal e desapropriar fazendas por não cumprirem sua função social*. A maioria das terras é da União e, portanto, carece de uma regularização fundiária, enquanto nos outros estados os mecanismos de obtenção de terras são a desapropriação e a compra e venda.

Segundo o professor de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo (USP), Ariovaldo Umbelino, a Reforma Agrária do governo federal tem sido feita em espaços onde não há o enfrentamento com o agronegócio e, pior, onde, de alguma forma, possa contribuir com ele. Neste caso, uma região que se caracteriza pela quantidade de terras públicas sem regularização e com forte expansão da fronteira agrícola e da atividade madereira se configura como exemplar nesta política.

Considerando, então, os números apresentados, conclui-se que o Norte do país — e mais especificamente o Pará — foi o “salvador” da Reforma Agrária do governo federal. Porém, indo além dos dígitos, a política aplicada na região é outra.

Longe da realidade

Umbelino afirma, há algum tempo, que esta “façanha” realizada pela SR-30 está “encobrindo uma nova estratégia para a continuidade da dilapidação do patrimônio público na Amazônia”.
Para Felipe Fritz Braga, procurador da República no município de Santarém, estes são números e realizações artificiosos. “Basta fazer uma consulta e se vê que, na maior parte, o que há é a regularização fundiária, muitas vezes de populações tradicionais que estão na várzea do Amazonas”, afirma.

O que vem acontecendo na região, segundo testemunhos e denúncias do Greenpeace, de servidores e comunidades, é uma ação do Incra que associa os assentamentos aos madeireiros. Segundo funcionários do órgão em Santarém, antes mesmo de o assentamento ser criado já existe um contrato da associação com o madeireiro sobre toda a madeira. De acordo com um servidor, que prefere ficar anônimo, “o estado, em vez de combater isso e criar mecanismos para que as comunidades tenham poder sobre seus recursos naturais, facilita ao criar assentamentos em áreas onde os madeireiros já estão e cria mecanismos de parceria inclusive utilizando o termo Parcerias Público-Privadas [PPPs] entre madeireiro e assentado”.

Esta “ação criminosa” — definida aqui como o conluio entre o Incra e os madeireiros da região para a regularização de terras e, assim, a “legalização” da exploração da madeira em áreas de assentamentos — é muito sutil e funciona por uma orientação dos poderes públicos estadual e federal. Em muitos casos, os madeireiros chegam a escolher onde os assentamentos devem ser criados pelo valor comercial da madeira na área.

Tal prática interfere diretamente na vida das populações que vivem na região há muito tempo. Frente ao objetivo claro e obstinado do Incra em associar os madeireiros aos assentamentos recém-regularizados, muitas comunidades resistem a se render às falsas promessas e tentam denunciar a ação. Por conta disso, Valdecir Gomes, líder comunitário de Curuá II, tem sido constantemente ameaçado de morte. Segundo ele, as ameaças começaram em 2005. “Fomos procurados por eles [madeireiros] para fazermos uma parceria entre a Associação e as madeireiras em troca de estradas, escolas, casas. Ao negar este acordo, eles passaram a ameaçar a gente diariamente dentro do assentamento. Não aceitamos a oferta e nem o dinheiro”, ressalta. Ele responsabiliza também o governo pela situação. “Tem o incentivo do Incra na permanência dos madeireiros dentro da área, inclusive os primeiros técnicos que vieram aqui obedeceram às ordens do madeireiro”, disse.

A “eterna” crise

Alegando sempre uma “crise” do setor, os madereiros pressionaram o governo, no início de 2005, a encontrar uma saída que atendesse seus interesses. Nesta época, era assinada a portaria conjunta nº 10, entre o Incra e MDA, que acabava com vários planos de manejo que haviam sido protocolados no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e foram indeferidos por não estarem em situação fundiária regular.

Depois de trancamentos de rodovias e também da interrupção com toras da navegação do Rio Amazonas na confluência do Rio Tapajós, em Santarém — principal via de comunicação entre Belém e Manaus —, o Incra e o Ministério do Meio Ambiente liberaram os tais planos de manejo florestal por meio apenas de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o que acabava por autorizar a exploração de madeira nos assentamentos, mesmo sem licenciamento e viabilidade ambiental. Os supostos donos destas áreas também foram liberados de apresentar alguma documentação que comprovasse a titularidade das terras, permitindo, assim, a continuidade da exploração da madeira nestas áreas, mesmo irregularmente.

Mas não tardou para que novas ações fossem exigidas pelos madeireiros e a criação da SR-30 vem com este propósito. Segundo Marcos Kowarick, diretor do Departamento de Ordenamento da Estrutura Fundiária, em ata de uma audiência pública da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, realizada no Senado Federal em setembro de 2006, se entende e corrobora com o clamor do setor, “e foi com isso que se criou a Superintendência de Santarém”. Ele afirma também que somente em 2005 foram regularizados mais de 8,5 milhões de hectares** de terra só no Pará e que a preocupação com a oferta de madeira legal dentro dos assentamentos está sendo atendida. Nesta reunião estavam presentes a então senadora e hoje governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), um representante do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Sudoeste do Pará (Simaspa) e diversos senadores.

Segundo o engenheiro agrônomo e funcionário do Incra que preferiu não ser identificado, a Reforma Agrária na região tem se desviado da sua finalidade. “É atropelada uma série de procedimentos na criação destes assentamentos para atender uma situação econômica de quem não é cliente da Reforma Agrária. Esta é uma situação no mínimo contraditória, para não dizer outra coisa”, denuncia.

Na mira da lei

De forma a frear a atuação “legalizada” das madereiras na região, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma Ação Civil Pública em agosto de 2007, que resultou em uma liminar interditando 99 assentamentos criados por meio do TAC. O juiz federal Francisco de Assis Garcês Castro Júnior, da Subseção de Santarém — responsável pela liminar — afirma que várias lacunas na criação destes assentamentos, como laudo agronômico, plantas de localização, mapas e outros instrumentos, põem em evidência que eles não possuem nenhum respaldo técnico.

O inquérito civil assegura ainda que tais projetos não atendem a uma autêntica demanda de potenciais clientes da Reforma Agrária. “São resultado da pressão do setor madeireiro junto às esferas governamentais, que vislumbram nos assentamentos um estoque de matéria-prima cujo manejo é objeto de um licenciamento mais rápido, devido ao valor social que seu manejo apresentaria, em tese”, diz o documento.

Segundo o procurador da República de Santarém, o TAC — que também foi suspenso pelo Ministério — “permitia que os madeireiros entrassem nas áreas para tirar madeira ainda que os assentamentos não pudessem ser ocupados por famílias”. De acordo com ele, desde que a Ação Civil Pública suspendeu estes assentamentos, não houve nenhuma manifestação por parte de trabalhadores rurais, “por outro lado, recebi vários grupos de madeireiros indignados com esta decisão”, afirma. Entrevistado pela reportagem em setembro de 2007, Sílvio Carneiro de Carvalho, superintendente-adjunto do Incra — e agora afastado —, nega as acusações e alega que quem gerencia a madeira é o Ibama. Para ele, se houve algum assentamento criado para atender aos madeireiros, “com certeza o Incra não compactuou com eles, pois a finalidade do órgão é a agricultura familiar”.

Porém, sua declaração é contestada em nota da Associação dos Servidores da Reforma Agrária do Oeste do Pará (Assera), divulgada em agosto “inúmeras decisões técnicas foram e são tomadas com critérios políticos, sem consulta ao corpo de profissionais da instituição e desobedecendo, inclusive, a legislação agrária, ambiental e até mesmo as normas internas do próprio Incra”.

Política pública?

Uma liminar judicial emitida no dia 17 de outubro decidiu pelo afastamento do superintendente da SR-30, Pedro Aquino de Santana, e de mais quatro servidores por dois meses. Acusados pelo MPF de improbidade administrativa, os funcionários terão também os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados.

Antônio Carlos Almeida Campelo, juiz federal substituto da 5º Vara, que expediu a liminar, fixou uma multa no valor de R$ 5 mil diários, caso qualquer item da decisão seja descumprido. Eles não poderão acessar os sistemas de dados nem permanecer nas dependências privativas dos funcionários.

Além do superintendente, estão afastados Sílvio Carneiro de Carvalho, superintendente-adjunto; Bruno Lourenço Kempner, executor do município de Altamira; Luiz Edmundo Leite Magalhães, chefe da Divisão de Desenvolvimento; e Dilton Rego Tapajós, chefe da Procuradoria Jurídica.

Hoje, o Incra conta com cerca de 120 funcionários em Santarém. Em seminário realizado com os servidores no início de 2007, chamado “Reforma Agrária e Cidadania”, se reafirmou mais ainda a política de Reforma Agrária da SR-30. Em sua fala aos funcionários, o presidente do Incra, Rolf Hackbart, disse que a solução para a realização da Reforma Agrária na região, com os poucos recursos que se dispunha, seria por meio da parceria entre madeireiro e assentado.

A avaliação da Assera é de que efetivamente não há políticas de assentamentos, que dirá da Reforma Agrária. Mas o que era considerado por eles como um problema na condução do órgão, hoje se revela como uma política tocada pelo órgão, pensada em Brasília, com o MDA, com a diretoria do Incra nacional e executada em Santarém por quem concorda.

A imprensa nacional já divulgou o caso, mas Luis Carlos Tremonte, presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Sudoeste do Pará (Simaspa), nega qualquer acusação. Segundo ele, em entrevista ao “Jornal da Tarde”, os processos são feitos com muita transparência e o “setor florestal” — como chamam os madeireiros — querem trabalhar na legalidade e buscam isso há quatro anos. Concorda com tal opinião a governadora do estado, que na sua candidatura à Prefeitura de Belém, em 2004, teve em sua lista de doadores empresas madereiras do Pará. Ana Júlia, na audiência pública citada anteriormente, afirmou: “eu acho que o nosso governo agiu corretamente ao procurar a legalidade, e que seja em parceria com assentamentos”.

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* Segundo o texto da lei, para uma propriedade cumprir sua função social deve ter um “aproveitamento racional e adequado, utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente, observância das disposições que regulam as relações de trabalho, exploração que favoreça o bem estar dos proprietários e dos trabalhadores”. Em outras palavras, a terra precisa ser — simultaneamente — produtiva, respeitar o meio ambiente e as leis trabalhistas, garantindo a saúde dos trabalhadores.

** Um hectare equivale, aproximadamente, à área de um campo oficial de futebol (cerca de 11 mil metros quadrados)

Fonte: matéria publicada na edição 42 da Revista Sem Terra - acesse a Revista Sem Terra

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

II Mostra Luta -

Por esses dias,
tive o prazer de estar com minha esposa Nina Fideles e meu amigo Jairo, na cidade de Campinas - Interior Paulista.
Presenciamos a II Mostra Luta, onde a Nina, estava com duas de suas milhares e maravilhosas fotos expostas.
Acredito na importância de se registrar cada momento da nossa vida, nossos passos por ae. Isso é história.

Um pouco mais disso é o que desejo todos os dias.


Que felicidade


sob a arte


Eu agarantiu


Orgulho do pai


abobados - eu e Jairo


um pouco mais sobre Nina Fideles

Fotos por Nós3

Nina


Nina

À você com suas palavras lindas,
À mim com minhas palavras viagens.
Teu jeito secreto de escrever a vida.
Seu estilo único de levar calma ao meu coração.
A paz do meu mundo é você.
A minha mais bela rima,
Vem de você.
O que faço quando penso no que vou fazer,
Vem de você.
Minha inspiração.
Esse seu jeito de dizer eu te amo,
Com os olhos quase fechando.
Esse teu sorriso ligeiro,
De orelha a orelha,
Brilhar,
Ilumina O DIA.

Tua falta de maldade,
Sua espontaneidade em dizer coisas que não sei,
Me Ensina.
Essa menina escondida em você mulher,
Ou essa mulher em tua meNina.
Minha confusão é ver você e pensar,
Buscar um adjetivo a te definir.
Confuso, pois preciso de muitos.
Muitos são os meus sentimentos por você.
Muito sou por você.
Cada segundo.
AGORA.
E ainda há uma longa estrada a nossa espera,
Meus braços serão tuas pernas,
Em meu colo você descansará.
Velarei teu sono.
Mas este teu jeito é que me faz lembrar você.
E quando esqueço de mim,
Lembro que estou em você.
Volto a ser eu,
Mesmo quando sou você.

(Parabéns pela tua vida. Só nós dois sabemso o quanto te amo)

por Crônica Mendes

27 anos em um dia só


o niver da nenem - entorta o caneco


o João Campos chegou sem campo


o Jairo chegou, o Jesus lambeu os dedos, e festa continua


Um salve para Xurupita


óia a malandragem deste cara - que mala


Nina e Paloma - manda mais uma breja


um salve para Espetinho da Vila


olhando o que?


idade falsa

O 27º ano


as velinhas


a vela


todo mundo não via a hora de pegar um pedaço de bolo


pode soprar!!! Ju e Sininho


o dedo e o bolo


menina forte


pensei que o 1º pedaço fosse meu


cuidado para não queimar os cabelos